Jornada em governança corporativa não é apenas para os ‘grandes’

Jornada em governança corporativa não é apenas para os ‘grandes’

Boas práticas de governança, o G do ESG, é caminho sem volta inclusive para empresas médias ou pequenas; evento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa vai até esta sexta, 26

Ana Vecchi

25 de novembro de 2021 | 19h57

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) está promovendo desde o dia 23 até esta sexta, 26, a Semana IBGC Educa, destinada a todos os interessados em iniciar, compreender mais ou aprofundar o conhecimento em governança corporativa. Todos os temas têm sido debatidos por meio de painéis on-line gratuitos, com especialistas de diversos setores.

No dia 23, com o tema “O G do ESG”, o debate trouxe o conceito, a influência sobre a jornada de quem empreende e a relevância de boas práticas de governança para empresas familiares, mas as não familiares foram citadas como exemplos e havia executivos delas na plateia virtual também.

Foi tão bom, alternando entre o leve e o profundo, com dezenas de siglas explicadas a quem nunca ouviu falar delas, fazendo com que todos pudessem respirar e aceitar que tudo tem seu tempo, mas que não tem volta, não há como nem por que fugir da agenda do ESG (sigla para princípios sociais, ambientais e de governança).

A governança já faz parte de um público mais jovem – investidor, empreendedor e consumidor, que não querem contribuir apenas para a perenidade de companhias, mas também para uma sociedade melhor, por meio das boas práticas construídas com transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade.

Fundos de investimentos analisam as questões financeira e econômica, lógico, mas isso já foi visto e avaliado antes de entrarem em contato com as franqueadoras.

Unidade da rede Café Cultura no Rio. Foto: Rafa Pereira

O que faz a diferença? ESG na teoria, no conceito, na prática e com os indicadores que envolvem os stakeholders. E como os conselhos podem, ainda, justificar a agenda ESG #sqn? “Estamos pensando nisso…” Se a visão continua só no retorno do capital, a empresa já faz parte de um passado que não a conduzirá ao futuro. Já está em contagem regressiva.

Empreendedores vêm escolhendo, cada vez mais, franquias como oportunidade de negócios ao enxergarem que construirão negócios com menor taxa de mortalidade e maiores chances de liquidez futura – união do franchising (menores riscos devido ao know how, escalabilidade, visibilidade) ao reconhecimento da marca, seu propósito e posicionamento (criação de valor no longo prazo, materialidade e liquidez). Era esse o tema do dia 24 na Semana IBGC Educa: “Governança e empreendedorismo”.

O script de apresentação de franquias a futuros franqueados há de ser revisto já que o franchising continua se importando com qualidade, inovação, em ser corresponsável pela engrenagem positiva à economia. Caso contrário, o futuro cenário se mostra previsível. Mas a realidade é que muda o conteúdo de marketing. Temos tantos bons exemplos de franqueadores neste sentido! E não importa o número de unidades franqueadas instaladas. Menos unidades pode ser muito mais quando tratamos das boas práticas de governança no franchising, e que não é apenas para os “grandes”.

Prova disso, na prática, foi conversar com Carlos Zilli, membro do Conselho e sócio do Café Cultura, com longo histórico profissional em empresas franqueadoras. Com 30 lojas em operação, a rede de cafeterias tem como conceito o domínio da cadeia, que denominamos “farm to cup”. Segundo Zilli, todas as etapas da cadeia são acompanhadas com a preocupação dos processos de sustentabilidade. Assim, o conceito de cuidar passa por pessoas, processos, produtos e fornecedores. E na governança, ainda que seja uma empresa pequena, busca-se as melhores práticas, mesmo onerando resultados.

“Saber cada vez mais sobre todas as etapas que envolvem o nosso café, desde a fazenda, nos motiva a explorar e buscar a melhor origem e qualidade dos grãos. Cultivar as melhores parcerias e cuidar de cada detalhe. Valorizamos a nossa história. Isso nos move e nos conecta com o futuro, que é compartilhar o melhor dos nossos produtos e da nossa cultura”, diz Zilli.

Você quer ser o maior ou o melhor?

Pode se tornar o melhor entre os maiores, por que não?

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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