Jessica Alba, Dr Dre e Bono Vox… empreendedores que faturam alto. E não é com música ou cinema

Daniel Fernandes

07 de novembro de 2014 | 06h32

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
Que artistas popstars influenciam a sociedade, não há nenhuma dúvida. Jacob Davis teve a ideia de uma calça jeans resistente para mineiros com rebites para reforçar os bolsos, pediu ajuda financeira do amigo Levi Strauss para patentear sua ideia em 1873, mas foi o ator James Dean que transformou a Levi’s 501 como um ícone da cultura jovem em 1955. Todos queriam ser o que Dean representava e na impossibilidade de sê-lo, usar uma 501 era o mais próximo que achavam que conseguiam chegar. Por este e outros exemplos, empreendedores sempre tentaram pegar uma carona na fama dos artistas.
Mas tudo o que a Jessica Alba queria era paz quando teve sua primeira filha. Famosa por diversos filmes, Jessica já tinha entrado no imaginário popular como a Mulher Invisível no filme Quarteto Fantástico. Mas ainda quando estava grávida, ela estava preocupada com a toxidade dos produtos de limpeza e outros que entravam em contato, direta ou indiretamente com o bebê. Preocupada com esta questão, descobriu que outras mães também tinham a mesma preocupação e não encontravam nada desenvolvido para esta fase em que as mães se tornam muito preocupadas com a segurança das suas crias.
Depois da chegada da sua filha, Honor, Jessica poderia muito bem ter continuado a viver só da sua fama, mas sua obsessão com a toxidade dos produtos continuava e decidiu criar seu próprio negócio, a Honest & Co. “Gastei meu próprio dinheiro durante três anos, tentando descobrir onde fabricar, que produtos poderiam ser feitos e quais apelos a marca deveria ter. Fiz muitas pesquisas. Todos diziam que eu estava ficando maluca. Não era muito sexy fabricar produtos de limpeza” – diz, explicando como iniciou sua startup em 2011. Três anos depois, sua empresa já esta avaliada em cerca de um US$ 1 bilhão.
Mas se a trajetória de Jessica Alba encanta as adolescentes e jovens adultas, a história do rapper Dr. Dre desafia os que gostam de ouvir música. Ter suas músicas pirateadas o chateava, mas a baixa qualidade dos fones de ouvidos o deixavam ainda mais nervoso. “Cara, uma coisa é as pessoas roubarem minha música. Outra é destruir o sentimento que eu trabalhei nela” (ouvindo um som de baixa qualidade). Por esta razão, Dr Dre começou a desenvolver o seu próprio fone de ouvido, o Beats, em 2006, que se tornou ícone de outros artistas e esportistas e objeto de desejo dos jovens em todo o mundo. Em 2014, a Apple comprou a empresa por cerca de US$ 2,4 bilhões.
O sucesso de Dr Dre influenciou vários outros artistas famosos a empreenderem ou investirem em novos negócios. Will.i.am, líder da banda The Black Eyed Peas, já investiu em vários negócios. Sua mais nova startup, a Puls, fabrica um relógio inteligente que se conecta a redes sociais. O ator Ashton Kutcher tem aparecido mais na mídia por ter investido em startups como Skype, Airbnb, Spotify e Foursquare. Até o Justin Bieber passou a investir em startups como Spotify, TinyChat e Sojo Studios.
E de todos os artistas, Bono Vox do U2 é quase uma unanimidade… como investidor. Sua empresa de investimento, a Elevation Partners, investiu em empresas como Yelp, Dropbox e uma empresa “quase desconhecida” chamada Facebook.
Nesta nova onda, artistas ajudam não apenas no aumento das vendas de calças jeans, mas também incentivam seus fãs a prestarem um pouco mais de atenção no empreendedorismo.
Assim, quem não canta bem, pode se motivar como empreendedor ou investidor em novos negócios.

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