Internet: um celeiro de empreendedorismo

Daniel Fernandes

05 de outubro de 2016 | 06h00

Para muitas pessoas empreender é sinônimo de abrir um negócio, criar um CNPJ.  Sem dúvida, abrir uma empresa é um ato empreendedor – e bastante desafiador, principalmente no caso do Brasil – mas, empreender vai muito além disso. Na internet também há diversas possibilidades de empreender e o comércio eletrônico é apenas uma delas.
Para contextualizar esse tema, vale destacar alguns resultados da edição 2015 da pesquisa

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, realizada pelo IBOPE e pelo Instituto Paulo Montenegro a pedido da Fundação Telefônica Vivo. Nesta segunda edição, a pesquisa reforça que o jovem de hoje está interessado em ter seu próprio negócio e que ele reconhece a internet como um caminho para ajudá-lo a alcançar esse objetivo. Segundo a pesquisa, 65% dos jovens brasileiros preferem ter um negócio próprio a ser empregado de uma empresa.

A análise da pesquisa, feita por Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper e também colunista deste Blog, destaca que, para a maioria dos jovens, a tecnologia ajuda e facilita o aprendizado e também o empreendedorismo e que a internet oferece novos métodos e novos meios para empreender. O relatório de análise da pesquisa ainda destaca que boa parte dos jovens já empreende, seja desenvolvendo conteúdo digital, comercializando itens em lojas próprias ou por meio de plataformas de comércio eletrônico e também desenvolvendo aplicativos e sites. Por isso, se você está entre os que dizem: “não tenho jeito para vendas”, saiba que a internet oferece muitas outras possibilidades para empreender.
É comum hoje grandes varejistas online, marketplaces e empresas desenvolvedoras de sistemas de gestão utilizarem o modelo de plataforma aberta (Open Platform), isto é, disponibilizarem o acesso a recursos de suas APIs (Application Programming Interface), permitindo que terceiros façam uso desses recursos para desenvolver novas ferramentas. Tomando a API como base, um profissional de Tecnologia – ainda que seja um jovem estudante do segundo grau, curioso e bem informado – pode criar ferramentas para melhorar a experiência dos usuários desses sites de e-commerce ou sistemas de gestão.
Essa iniciativa é muito bem vista no mercado; gera valor aos sites e sistemas, traz facilidades para seus usuários e é fonte de monetização para o desenvolvedor. Atualmente, milhares de profissionais autônomos já desenvolvem ferramentas tecnológicas com base nas APIs de grandes sites e empresas de sistemas de gestão.
A própria internet mostra o caminho para quem deseja investir nessa atividade. Cursos, vídeos e os próprios sites de desenvolvimento das grandes plataformas e lojas de e-commerce trazem dicas e direção para se tornar um desenvolvedor. Em muitos casos, os profissionais que desejam se especializar na criação e oferta de ferramentas tecnológicas para determinadas plataformas podem se inscrever e passar por testes que os tornará homologados, isto é, certificados para atuarem com as APIs da plataforma em questão. A lista de desenvolvedores homologados costuma ser amplamente divulgada pelas plataformas, que incentivam seus usuários a buscarem por esses profissionais quando precisam de uma ferramenta tecnológica nova.
Há diversos sites que oferecem cursos e dicas para quem deseja se tornar um desenvolvedor, como o Codecademy e o CodeSchool. Há também diversas maneiras de buscar por investidores que desejam aplicar recursos em boas ideias. Um exemplo é a ACE, uma aceleradora de startups que investe em muitos desenvolvedores independentes, ajudando-os a ganhar o mercado com suas ideias.
Com a internet ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e a nova geração transitando livremente nesse novo mundo tecnológico, como confirma a pesquisa aqui citada, a tendência é que as oportunidades na web aumentem cada vez mais. Não dá para ficar de fora. Conecte-se e empreenda!
Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

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