Inovação e criatividade: parecem iguais, mas são coisas diferentes

Inovação e criatividade: parecem iguais, mas são coisas diferentes

Se ainda não foi validada e não ganhou mercado, a ideia criativa não pode ser chamada de inovação; saiba como desenvolver a criatividade para levar inovação a seu negócio, com o cliente no centro de tudo

Redação

23 de março de 2021 | 16h32

Por Márcio Donizetti Barbosa, consultor de negócios Sebrae-SP

O povo brasileiro é inovador? Você provavelmente respondeu ‘sim, o brasileiro é muito inovador’. Lamento contrariar, mas não somos inovadores, somos criativos. Existe uma sutil diferença para o mundo dos negócios, que a criatividade traga resultados econômicos, que entre dinheiro na organização. Caso contrário estamos falando de criação, o que é ótimo, mas ainda não ganhou mercado. Sem validação não podemos chamar de inovação.

A maioria das pessoas entendem inovação como investimentos em tecnologias de ponta em suas empresas, o que não é verdade. A inovação pode ser aplicada de várias maneiras em sua empresa: produto, processo, organizacional e marketing.

Existem basicamente dois tipos de inovação, a incremental e a disruptiva. A incremental é uma melhoria em algo que já existe, normalmente se concebe de maneira que as duas versões coexistam. Uma cadeira pode ter rodinhas, ajuste de altura, descanso para braços, mesmo assim ainda permite a existência das cadeiras convencionais, simples.

A inovação disruptiva normalmente inviabiliza a tecnologia anterior, as videolocadoras são um bom exemplo. Foram totalmente inviabilizadas do ponto de vista empresarial após as plataformas de vídeo “streaming”.

Por que a inovação não é óbvia? Primeiro precisamos entender que todos nós nascemos criativos. Observe as crianças com seus brinquedos, bem ao estilo Toy Story. Conforme vamos crescendo somos apresentados aos padrões do mundo e, para não sermos patinhos feios, aquele que é diferente, logo buscamos nos adequar ao que todos fazem. Esta é a receita, você é padrão: compra de carro, roupa, viagens, corte de cabelo, estudo, profissão e redes sociais. Pronto!

Inovação disruptiva que fez nascer o streaming levou ao fim as videolocadoras; na foto, uma das últimas em Bauru (SP), fechada em 2018. Foto: Márcio Shibukawa/Estadão-26/1/2018

Mudar é possível, mas exige dedicação, você vai ter que quebrar alguns paradigmas mentais. A primeira é se dedicar ao desenvolvimento da criatividade, busque praticar artes, pinte, escreva, faça aulas de música, leia mais, busque contato com pessoas diferentes, jogue jogos de tabuleiro. Estas são algumas maneiras de exercitarmos nossa criatividade e começarmos a olhar para a vida com um olhar diferente.

Estudos indicam que as habilidades do futuro estão relacionadas ao que nos tornam humanos, aquelas que as máquinas ainda não conseguem replicar: criatividade, comunicação, colaboração e criticidade.

Normalmente as empresas do mesmo ramo não conseguem entender o mercado, veja a fintech Nubank, em 7 anos de mercado superou o centenário Banco do Brasil. Eles oferecem os mesmos produtos. A diferença é que uma colocou os clientes no centro de suas decisões: “customer centricity”.

Tenha foco no cliente. Segmentos e empresas que não mudam estão fadadas a morrer. Taxistas não inventaram o Uber, videolocadoras não inventaram o Netflix, Hotéis não inventaram o Airbnb. Todos estavam tão focados em seu próprio padrão de negócios que deixaram de olhar para seus clientes. Ele é o que importa, ele deve ser o centro das atenções de todos.

Depois das fintechs espero animado para a próxima revolução. Ela é silenciosa, chega de mansinho, espero que seja na área de saúde e agronegócio. As pessoas precisam mais do que nunca ter atendimento médico e comida na mesa. Esse é o propósito da inovação, o bem estar das pessoas.

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