Hora de retomada? Se seu negócio nunca parou, é preciso ‘continuar’

Hora de retomada? Se seu negócio nunca parou, é preciso ‘continuar’

Para micro e pequenas empresas, tempo para otimizar processos e buscar novos canais de vendas na pandemia foi ainda mais apertado, mas é preciso continuar cuidando do planejamento, aponta consultora do Sebrae-SP

Redação

09 de dezembro de 2020 | 14h18

Por Taís Fernanda Camargo Antonio, consultora do Sebrae-SP

Retomar, recomeçar, retornar, reabrir, mas serão essas as palavras para as micro e pequenas empresas? Olho para esse período e não vejo micro e pequenas empresas prontas para retomar, porque elas nunca pararam. Elas tiveram de se reinventar, de continuar, de buscar alternativas, às vezes, mudando tudo. A palavra certa, nesse momento, seria continuar.

Continuar, mas continuar com tantas mudanças. Mudanças externas, que estão fora do controle das empresas e que refletem diretamente nas ações internas. Nunca a análise de cenários e a busca por informações que possam trazer soluções para problemas imediatos fizeram tanta diferença na continuidade, ou não, de uma empresa.

As micro e pequenas empresas têm a facilidade de conseguir mudar de maneira mais rápida do que as grandes corporações, pois a tomada de decisão depende de poucas pessoas. Esse é um fator que pode ser encarado como diferencial competitivo bem importante em um momento de crise, mas também pode ser um ponto de fraqueza, pois a decisão, quando tomada sozinha, pode trazer uma grande carga de responsabilidade, medo e até mesmo uma paralisia, onde se sabe o que fazer, mas se demora para tomar a ação.

Outro ponto relevante no processo de continuidade, que as micro e pequenas empresas realizaram durante esse período, é que muitas delas na verdade já foram abertas por necessidade, ou seja, é o meio de vida desses empresários, não há outra opção. A última pesquisa do GEM (Monitor Global de Empreendedorismo) aponta que 88% das empresas abertas no Brasil foram por necessidade, como meio de vida, de sustento, por isso torna-se necessário dar continuidade.

Outro ponto relevante é o crescente número de empresas abertas durante o período da pandemia. Somente de MEIs (microempreendedor individual) foram 327 mil novos CNPJs (segundo o Portal do Empreendedor), o que demonstra que empreender continua sendo um caminho para a geração de renda, em um momento de poucas oportunidades no mercado de trabalho.

Muitas dessas pessoas, agora empresários, tornaram um hobby, uma ação esporádica, uma oportunidade de comercializar algo em que já vinham pensando há algum tempo em fonte de renda diante do desemprego ou da queda de renda de uma atividade como empregado.

A gestão do negócio é prioridade, senão o risco de fechamento é maior. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A perspectiva do GEM é que a abertura de novas empresas, no Brasil, bata o recorde de crescimento em 2020, chegando a 25%. Uma saída para a geração de renda que faz com que as micro e pequenas empresas tenham que continuar a otimizar processos, buscar por novos canais de venda, calcular os preços, buscar alternativas para pagar as contas, os salários. Decisões que tiveram e terão que ser tomadas não havendo a possibilidade de tempo para organizar, para deixar de vender. Planejamento executado dia a dia, conforme as ações e provações do ambiente externo. Pressão e incertezas que levaram e levam a busca por apoio e por inovações que, muitas vezes, não eram nem sonhadas.

Vejo todos os dias empresas buscando apoio. Apoio para buscar informações, para ganhar conhecimento, para ter com quem dividir, conversar, para tomar decisões. E sobre essas micro e pequenas empresas que digo que não há retomada, pois elas continuaram. Elas seguiram, encontraram caminhos para continuar no mercado, para sobreviver.

E para as que estão entrando no mercado agora digo que a realidade deve ser balizada pelo planejamento (mesmo que ele tenha que mudar a cada nova notícia sobre a pandemia), que os processos internos devem acontecer para que ela tenha sucesso na sua jornada em busca do consumidor e da lucratividade, que a inovação deve estar presente para que as mudanças aconteçam no tempo certo. Orientamos que a gestão do negócio seja prioridade, pois com ela, a taxa de mortalidade das novas empresas cai, ou seja, há uma maior possibilidade de se estabelecer e crescer.

Retomar é como seguir de onde havíamos parado. E a vida não parou. As empresas, os consumidores, os serviços, o jeito de comprar, nada será como em março de 2020, tudo está mudado e continuará a mudar.

Aprendemos que a inovação e a agilidade das micro e pequenas empresas faz nosso País mais forte e adaptável. Que as empresas que estão surgindo, nesse momento, vão contribuir para a geração de emprego e renda e para a retomada de nossa economia.

Vamos tocar em frente, vamos fazer da palavra retomada uma continuidade e vamos continuar lutando e vencendo.

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