Gigante pelos pequenos

Daniel Fernandes

11 de novembro de 2015 | 07h43

Defendo muito a importância de criarmos histórias e empresas capazes de irem do bairro para a cidade, da cidade para o estado, do estado para o país e, por fim, do país para o mundo. Começar pequeno, mas pensando no longo prazo, é um dos caminhos para histórias conhecidas e reconhecidas mundialmente. Uma dessas histórias vem da China.
Fundado em 1999 pelo chinês Jack Ma, o Alibaba é um grupo de e-commerce, detentor de dez sites, com mais de 27 mil funcionários e escritórios em diversos países do mundo. Seu fundador é conhecido por ser uma mistura da cultura chinesa com um espírito muito forte do Vale do Silício. Isso o faz uma figura muito peculiar e, consequentemente, suas características refletem na cultura da empresa, tornando-a única.
Com a missão de fazer negócios em qualquer lugar do mundo, o Alibaba reúne milhares de fornecedores e comerciantes que oferecem seus produtos nos sites do grupo e os vendem para diversos países. Somente na China, a empresa é a responsável por 60% do volume de entregas no país. No total, as entregas são feitas para mais de 190 países. Em 2014, estreiou na Bolsa de Valores de Nova York.
Embora os números sejam significativos, o que mais me chama a atenção são alguns detalhes peculiares da cultura da empresa. Como mencionado, há uma mistura interessante entre cultura chinesa com características do Vale do Silício. Duas regiões tão distintas, ligadas de alguma forma é, no mínimo, curioso. O Alibaba é muito aberto às críticas, transparente e sem hierarquias dentro da empresa. Esses três aspectos configuram uma cultura leve em vários sentidos.
Um exemplo simples disso, porém significativo, são os apelidos pelos quais os colaboradores são chamados. Não há formalidades: quando uma pessoa é contratada ela inventa um apelido pelo qual gostaria de ser chamada pelos colegas. Uma maneira simples de integração e de leveza. Outro exemplo que inclui também diversão são os shows protagonizados por Jack Ma nas festas da empresa. No aniversário de dez anos do Alibaba, ele vestiu uma peruca branca, passou maquiagem e, fantasiado, subiu ao palco para cantar.
O Alibaba tem uma cultura para que todos sintam-se parte de uma família. Desde que surgiu, eles afirmam que a empresa foi desenhada para viver, ao menos, 102 anos. As estratégias são desenhadas em cima dessa meta, para serem sustentáveis e resistiram às mudanças do tempo. E os funcionários fazem parte dessa meta: a empresa quer tê-los durante estes 102 anos. Um evento simbólico foi o casamento coletivo de 102 casais que Jack Ma realizou. Veja só: ele fez essa cerimônia na sede da empresa, integrando as famílias dos colaboradores e afirmando o compromisso que ele mesmo tem com aquelas pessoas. O valor simbólico disso é de uma magnitude sem precedentes. 102 casais, 102 anos. Uma grande família.
Poucos líderes conseguem implantar culturas tão fortes dentro de suas empresas. Transparência, leveza, abertura a críticas e simbolismos tão claros quantos seus mais profundos desejos. Uma combinação que pode levar o Alibaba a 102 anos.

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