Gestão de imagem em tempos de mídia social e crise

Daniel Fernandes

31 de maio de 2016 | 08h00


Estamos vivendo momentos de extrema ebulição nas mídias sociais, uma mistura de polarização política com compartilhamento de opiniões “definitivas”, que estão arrasando com amizades de longa data, separando famílias, brigando colegas de trabalho e afetando até mesmo o ‘timinho’ de futebol do final de semana.
Mas se engana quem pensa que isso é um fenômeno novo. O que nunca faltou nos botecos de toda esquina são opiniões radicais e cervejinha gelada, não é? No boteco, sempre se falou de tudo e sobre tudo: futebol, sexo, politica, filosofia, crime, qualquer que seja a última manchete do dia. E todo assunto que fosse polêmico o suficiente, e que permitisse exibir algum talento argumentativo, já valia um bom bate-boca entre amigos e criava alguns desafetos, de vez em quando.
O que me parece estar ocorrendo de diferente agora, porém, é que as novas mídias sociais espalham as opiniões mais rapidamente, e para um número muito maior de participantes, misturando cada vez mais a vida pessoal e a vida profissional das pessoas – e das empresas – num grande redemoinho.
Sempre lembrando que, numa pequena empresa, é quase impossível separar a imagem do dono da marca ou produto na cabeça do cliente, o que aumenta mais ainda a pressão. É evidente que isso criou um ambiente de novos desafiados para muitos empreendedores, numa área confusa que ainda não tem regras definidas, e que poucos parecem estar realmente preparados para administrar com sabedoria.
E num momento de extrema crise, como a que estamos passando, tudo fica mais intenso – e tenso – e a coisa toda pode sair fora do controle rapidamente, afetando a chamada “opinião pública” que as pessoas têm – ou podem vir a ter – de você e sua empresa.
Que o digam algumas empresas que tiveram sua imagem pública bastante arranhada por barbeiragens nas mídias sociais.
O bar Quitandinha, na Vila Madalena, lidou de forma leviana com uma acusação feita por uma cliente, e virou um exemplo do como-não-fazer em mídias sociais.
A Barbarella Bakery, de Porto Alegre, emitiu uma opinião sem noção, e recebeu em troca milhares de outras tantas opiniões.
O Dog Haus, em São Paulo, tentou ser engraçadinho ao polemizar com uma sugestão de uma cliente, e transformou o assunto num horror de baixaria poucas vezes visto. Como estes, não faltam cases sobre como NÃO agir.
Não tenho a pretensão de ensinar a ninguém uma fórmula iluminada de como se posicionar nas redes sociais. Mas tenho certeza de uma coisa: as teclas podem ser botões de auto-implosão. Por isso, melhor usá-las com cautela, parcimônia e cabeça fria. Postar o que se pensa – ou sente – pode ser o suicídio de uma marca.
E para isso, não há gestão de crise que resolva.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor.
 

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