Gestão inovação, treinamento e administração do tempo… as dicas para o sucesso nos negócios

Daniel Fernandes

13 de fevereiro de 2013 | 09h11

Na prática, as dicas são bem diferentes.

A rotina de um empreendedor pode ser bem solitária. As demandas não dão sossego e diariamente decisões precisam ser tomadas. Um equívoco pode colocar em risco a empresa, por isso, a pressão é grande. Juliana Motter descobriu na prática as delícias e as angústias de ser dono do próprio negócio.
As tarefas aparentemente simples viraram problemas conforme a sua empresa crescia. Para cada um dos problemas, ao longo do tempo, Juliana encontrou soluções. Confira cinco dicas da blogueira para lidar com questões que podem tirar o sono de quem é dono de um pequeno negócio.
Preços – Depois de ver a sua empresa ameaçada pela falta de organização com as finanças, Juliana buscou ajuda e descobriu o serviço de consultorias administrativas terceirizadas. “Pesquisei e descobri que existiam várias delas no mercado, bem debaixo do meu nariz! O serviço funciona assim: paga-se uma mensalidade (que geralmente cabe no orçamento de uma pequena empresa) e eles assessoram na administração do negócio, conta.
“Fazemos reuniões mensais, nas quais eles apresentam os balancetes financeiros, definem o ponto de equilíbrio, fazem recomendações de como ajustar despesas e receitas, identificam oportunidades de redução de custos, etc”.
Gestão – A falta de boas experiências no mercado corporativo, ainda como funcionária, fez Juliana criar um método de administração peculiar quando fundou a Maria Brigadeiro. Mas essa falta de regras gerou problemas. “Constatei a duras penas que minha cartilha era uma utopia. Contratei rapidamente um consultor para me ajudar a colocar a empresa nos trilhos, conversei com empreendedores Endeavor, frequentei workshops de administração, fiz cursos de gestão. Entendi finalmente que as ferramentas de organização não eram inimigas do meu sonho, ao contrario, eram elas que iriam garantir a sobrevivência da empresa. Hoje temos funções mais definidas, fazemos reuniões semanais (sem biscoito água e sal), contratamos uma pessoa de compras, investimos em uma contabilidade estruturada”, conta.
Originalidade – A Maria Brigadeiro, empresa fundada por Juliana, ganhou visibilidade por ser um dos primeiros negócios a apostar em um produto e criar versões diferentes para uma receita tradicional. Ao montar o que ainda não existia, a empreendedora conseguiu criar um conceito que hoje é replicado no país inteiro.
“Atribuo grande parte do sucesso de um negócio à sua originalidade. E penso que a originalidade nasce, quase sempre, de um olhar diferente sobre aquilo que esteve sempre ali, imutável e insuspeito.  Eu me inquieto aos comichões ao pensar que existem milhares de ideias inéditas de negócios só esperando para serem descobertas. E assim passo os meus dias, ocupada, brincando de desvendá-las”.
Coaching – Estar à frente de uma empresa exige uma série de requisitos do empreendedor. Principalmente se o negócio for de pequeno porte. Com estrutura enxuta, sobra para o proprietário definir e decidir os passos que garantirão não só a saúde financeira da sua pequena empresa, mas também da sua sobrevivência. “Eu me sentia tão solitária com as minhas decisões administrativas que nos primeiros anos da Maria Brigadeiro eu dividia minhas preocupações com qualquer boa alma que me desse cinco minutos de atenção, fosse na fila do banco, no ônibus ou no supermercado”, conta Juliana.
De acordo com a empresária, sua postura, que não ajudava muito na solução de problemas, teve que mudar. Foi quando ela conheceu por acaso um coaching. “Conversamos longamente durante 10 sessões e pude chorar e rir, no lugar certo e para a pessoa certa, todos os meus medos e sonhos. Dessas conversas encorajadoras, que associei a uma terapia corporativa, surgiu um plano de ação estratégico (apoiado na experiência dele como gestor de empresas), no qual discutimos formas criativas de fortalecer cada uma das fragilidades da empresa para que ela encontre seu verdadeiro caminho, que nem sempre é o mais óbvio. Apesar do trabalho ter um tempo determinado, geralmente 10 a 12 encontros, me senti tão acolhida não consegui mais parar”.
Administração do tempo – As demandas diárias são muitas. Cabe ao empreendedor tentar administrar o tempo para não ser engolido por ele e, consequentemente, ver sua empresa afetada por decisões equivocadas, tomadas às pressas. Juliana Motter enfrenta esse obstáculo na rotina da Maria Brigadeiro. No entanto, depois de perceber que a falta de tempo prejudicava o negócio a empresária busca uma alternativa simples para minimizar os contratempos trazidos pelo tempo escasso. “Desde então, meu exercício tem sido me reunir com as equipes e ouvir, sem pressa, o que elas têm a dizer. Essa proximidade com as pessoas tem sido quase terapêutica, tem me reconectado com o propósito de estar ali, 12, 14 horas por dia, coisa que relatório e planilha nenhum tem o poder de fazer”, explica.

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