Gestão demais de vez em quando complica o simples

Daniel Fernandes

03 de julho de 2013 | 07h44

De quem é a culpa pela chuva? Da gestão!

Gestão. Até os 30, pouco tinha ouvido falar dela, e hoje é a palavra que eu mais pronuncio depois de brigadeiro. Me pergunto (muito silenciosamente, para que ninguém aqui me ouça e me demita por insubordinação administrativa) em que momento, afinal, a tal da gestão ganhou essa importância toda no vocabulário corporativo.
Repare que tudo hoje em dia é gestão. Assim como na medicina, de uns tempos pra cá, tudo passou a ser virose. O funcionário faltou porque ficou preso na manifestação de M boi Mirim? O RH falhou na gestão do transporte. A máquina de café quebrou? A gestão de produção foi deficiente. Choveu mais em junho do que no ano todo de 2013  e entrou água na loja? A gestão do telhado anda meio capenga. Acabou a luz? Alguém por favor acende uma vela e marca uma reunião com o eletricista para entender como ele tem feito a gestão elétrica da empresa?
E a gestão vai com a gente pra casa. Recentemente contratei uma cozinheira e vivia me culpando por não ter tempo de fazer a “gestão” dela por estar sempre atrasada para o trabalho. Resultado? Passamos quinze dias comendo pizza e ela, assistindo a sessão da tarde.
Dois quilos mais gorda, fui desabafar com uma amiga, que me deu um conselho tão óbvio que me desconcertou: “Se você não tem tempo de ensinar, dê a ela um livro de receitas e deixe que ela cozinhe”. Gênia!
Peguei alguns exemplares que uso para decorar a minha cozinha e dei a ela, constrangida por estar delegando aos livros uma função que meti na cabeça ser minha. E não é que hoje cheguei em casa faminta e encontrei um quibe assado delicioso? Pois é, gestão demais de vez em quando complica o que pode ser muito simples.

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