Gestão de dados ajuda a minimizar desafios do sistema público de saúde

Gestão de dados ajuda a minimizar desafios do sistema público de saúde

Com apoio de tecnologia, ePHealth atua para aprimorar setor de saúde primária ao lado do poder público em 3.600 cidades do País; em São Paulo, projeto está presente em Paraisópolis

Maure Pessanha

25 de junho de 2020 | 10h15

Oitenta e sete milhões de brasileiros são acompanhados por 27 mil equipes de Saúde da Família. Presente em 92% dos municípios, o programa focado na atenção básica já foi eleito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos 10 melhores do globo. Referência mundial, o Sistema Único de Saúde (SUS) – assegurado pela Constituição e nascido da pressão de movimentos populares de reafirmar a saúde como um direito de todos – tem sido fundamental no combate e no atendimento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus.

Há mais de três décadas, ele tem feito a diferença para milhões de brasileiros e brasileiras, sobretudo cidadãos em situação de vulnerabilidade econômica. Hoje, o SUS é usado por 75% da população, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas.

Na Brazil Conference at Harvard & MIT – evento anual realizado pela comunidade brasileira de estudantes em Boston, nos Estados Unidos, e que conta com parceria do Estadão – um dos painéis abordou os desafios do sistema de saúde; um dos temas propostos foi sobre como as empresas podem contribuir com a sociedade. Das reflexões geradas, vemos que há muito espaço para melhorias e que os negócios de impacto social podem contribuir com esse aprimoramento. Um desses negócios é a ePHealth.

Fundada em 2015 por Pedro Marton Pereira, a ePHealth tem se aprofundado na atuação da saúde primária. A plataforma de dados foi criada para otimizar o cotidiano dos profissionais de saúde e oferecer às prefeituras uma solução assertiva para o mapeamento populacional: coleta, análise e gestão de dados. Na percepção do empreendedor, lançar um olhar macro e social é essencial para gerar conhecimento – que é a base para um sistema de saúde eficiente, com estratégias e políticas públicas seguras.

No cerne da empresa, o propósito de fortalecer o elo entre o Estado e os cidadãos, promovendo impacto social com um sistema de saúde seguro e promissor. Na prática, a empresa oferece soluções inteligentes e acessíveis para minimizar os grandes desafios do setor, contando com apoio de tecnologia de ponta. O alcance do negócio chega a mais de 3.600 cidades, assistindo 3,5 milhões de pessoas; são mais de 50 mil visitas domiciliares diárias e mais de 1,2 milhão de vacinas reportadas. Em São Paulo, por exemplo, está em um projeto implementado na favela de Paraisópolis.

Hospital de campanha no Anhembi, em São Paulo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão-1/5/2020

A parceria com pesquisadores e instituições de referência internacional permite à empresa produzir dados de qualidade com potencial de oferecer suporte para a transformação social. Com informações seguras e atuais, o poder público tem acesso a uma radiografia da realidade social e sanitária da cidade para que sejam traçadas estratégias condizentes com a real necessidade da população em termos de políticas públicas.

Para tal, a empresa conduz a “higienização dos dados”, com a recuperação do histórico de cadastros, que é interligado a um processo automatizado. Com isso, os problemas nos cadastros de prefeituras (informações inválidas ou inexistentes) são eliminados com dados limpos para criar uma base segura de informações.

Iniciativas gratuitas na pandemia

Diante da pandemia, a ePHealth iniciou duas iniciativas gratuitas. A primeira é a plataforma Fast-Track Covid-19 – um protocolo de manejo clínico para o novo coronavírus. A solução já está disponível na internet, com suporte de um portal em nuvem que interage com um sistema de agendamento e aplicativo específico para uso em dispositivo móvel.

Entre as quatro funcionalidades, a jornada do paciente e dos profissionais de saúde no atendimento: triagem (recepção/agenda); sintomas e notificação compulsória (enfermeiro); sinais vitais (técnico de enfermagem); e desfecho (para médico). A segunda solução é o Meu SUSzinho, um aplicativo gratuito para a população brasileira mais vulnerável. Com ele, o cidadão pode se conectar rapidamente, de forma automática, com equipes de saúde para receber conteúdos personalizados.

Em última análise, falar sobre o aprimoramento do SUS é defender a justiça social. Os serviços públicos básicos com qualidade definem um espaço de oportunidades para tratar adequadamente os brasileiros, sobretudo os que têm o Estado como única forma de acesso a um atendimento médico digno. Do ponto de vista da saúde pública, a excelência na prestação desse serviço nos garante equidade.

Hoje, em meio à pandemia que assola o País, o SUS tem revelado um atendimento assimétrico em várias cidades, em especial quando comparado com a saúde privada. Temos que resolver essas assimetrias e garantir melhores condições para que não reforcemos as desigualdades sociais por meio de serviços públicos ineficientes.

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* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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