Franqueados LGBTQIA+ estão entre os melhores nas redes de franquia

Franqueados LGBTQIA+ estão entre os melhores nas redes de franquia

Como uma empresa franqueadora vai se relacionar com um mundo diverso, se seu quadro de funcionários não for? Na semana do Dia do Orgulho LGBT, é preciso ainda mais pensar em como mudar as estruturas

Ana Vecchi

01 de julho de 2021 | 20h30

Se eu tivesse escrito “podem (ou poderiam) estar entre os melhores”, talvez você não se interessasse tanto por este artigo. E se você se interessou, pensando “Hein? Como assim?” “Que rede é esta?” “Nunca ouvi falar sobre isso!”, se mostra curios@ por estar por fora das notícias, das tendências de um mundo evoluído, que, pós-pandemia, sairia diferente do que quando entramos nela. A gente já viu que, na hora do desespero, as intenções e promessas vêm com uma força fantástica, porém, alguns dias depois, quase tudo volta a ser como antes.

Vivemos em uma sociedade global que é racista, preconceituosa, elitista, homofóbica e predadora, onde as minorias são o oposto desses comportamentos. São definidos como minoria os grupos de pessoas consideradas diferentes, não semelhantes, que têm multiplicidade.

Diversidade cultural, étnica e biológica estão sempre em discussão, o que por si é demais positivo, pois são muito ricas. Mas poderia ser algo bem mais evoluído, sem termos que convencer que o natural é respeitar a diversidade étnica pela união de vários povos numa mesma sociedade; preservar fauna e flora, sendo que nós, brasileiros, abrigamos a maior biodiversidade do nosso planeta; e a diversidade cultural, com diferentes culturas, linguagem, tradições, religiões, costumes e características próprias. 

O modelo cringe de famílias perfeitas como tema de propagandas de margarinas e instituições financeiras caiu por terra há tempos. O que é mesmo uma família perfeita? Quem de nós vive em uma? A perfeita é a que esconde suas “diferenças”?

Parada Gay de São Paulo há 2 anos, antes da pandemia. Foto: Tiago Queiroz/Estadão-23/6/2019

Vamos aos franqueados LGBT, que, provavelmente, performam melhor, vão atrás de seus sonhos pessoais, profissionais e de negócios de sucesso, que lutam pelos melhores resultados enfrentando pandemia, crises econômicas e políticas, pois estão acostumados a enfrentar pessoas “comuns” no seu dia a dia. Dentre elas, seus familiares, pais e ex-amigos. Não há ex-pai ou ex-ti@.

O que é de sangue não sai da gente, sai do convívio apenas por escolha. A escolha de serem felizes e não caírem na armadilha de fazerem os outros felizes, a vida desperta neles desde cedo a necessidade do autosustento, de saírem da dependência familiar e não terem obrigação de se sujeitarem. Nascem, deste contexto social, os empreendedores que muitos franqueadores buscam e nem tinham pensado sob esta ótica. Inúmeros profissionais qualificados ou a serem formados, empresarialmente, pelo franchising.

Quem fala que não sabe o que LGBTQIA+ e o resto das letras do alfabeto quer dizer pode estudar o que significam, porque a educação dá nome às coisas, transforma e tira o ranço do preconceito. Saber o que significa identidade de gênero, orientação sexual e expressão de gênero é um bom começo.

Usar a terminologia adequada para identificar, quando necessário, não pela simples classificação, mas pela consciência e comportamento que premiam todas as formas de casais e relacionamentos, de ser e existir é entender o que significa. 

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Provocando reflexões apenas, sem tamanho grau de importância, vemos muitas franquias buscando entender o que a geração Z está desafiando, na forma de se relacionar, comprar e divulgar suas marcas positivamente. Assim como estão aprendendo como atuar com delivery, vender através das mídias sociais e a força que as mesmas representam. Devemos ter bem claro que, no público-alvo de todas as empresas, estão estas pessoas, assim como os héteros!

Muito RH do franchising e áreas de expansão de franquias têm tido o cuidado de ampliar a consciência, através do exercício de convivência com os termos adequados sem ficarem titubeando na hora de se expressarem sobre, e com, o universo LGBTQIA+.

Faz parte de meu mapeamento de processos e procedimentos dos processos de seleção de funcionários e franqueados promover a diversidade e a inclusão nas empresas, pois há que se cuidar com o “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. Como uma empresa franqueadora vai se relacionar com um mundo diverso, se seu quadro de funcionários não for? Se a rede franqueada não representar o que está nas atuais propagandas da marca?

Meu melhor amigo e mentor, quando preciso dos melhores conselhos e mereço críticas, é cisgênero, que se identifica com seu corpo masculino e é gay, profundo, culto e tudo de bom! Minha melhor amiga é hétero. Minha neta, de sangue, é negra. Vivo a diversidade, nasci assim e, não à toa, sou tão feliz!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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