Fazendo a mesma coisa, só que diferente

Daniel Fernandes

17 de março de 2016 | 09h41

O clima dramático nacional já está bem pesado nos jornais e mídias sociais: temos uma crise monstro destruindo tudo. E não tenho nada de novo – ou interessante – para falar nessa área.  Por isso, hoje preferi olhar para dentro de minha empresa e trazer um pouco de nosso dia a dia de trabalho no Pastifício Primo, para que sirva de eventual inspiração – ou de provocação, você escolhe.
Iniciamos em 2010 em São Paulo, focados em gastronomia de alta performance. O que é isso? Significa pretender estar entre os melhores – todos os dias. Ser especialista num produto. Destacar-se, ser aplaudido pela qualidade e estilo único. Fazer a diferença.
Essa fome de excelência nos levou a conquistar prêmios importantes, um lugar “ao sol” no mercado, clientes fiéis, fornecedores diferenciados e uma equipe focada. Também nos deu a confiança necessária para espalhar nosso projeto de pequenas fábricas de massa artesanal (pastifícios) para outras capitais pelo Brasil.
Mas além do produto – massa artesanal – o nosso negócio é feito de várias facetas que também precisam ser ótimas (administração, rh, logística, etc). E uma dessas atividades que mais nos enche de satisfação é a forma como comunicamos nossa empresa: o marketing. Sim, esse palavrão que tanto foi de moda no passado. Adoramos o mkt.
Ou seja, claro que a qualidade do produto é fundamental, óbvio, é a base. Mas tudo flui melhor quando a gente consegue mostrar e divulgar com eficiência o produto que fazemos. E fazemos a comunicação do jeito que queremos, sem concessões, carregado de nossa filosofia DIY.
– Temos um grande plano de comunicação? Não, vamos nos guiando pela intuição.
– Temos agencia de publicidade? Não, procuramos artistas e designers independentes que atendam nossas ideias malucas.
– Temos RP? Assessoria de imprensa? Não, eu mesmo escrevo ao jornalista quando temos alguma novidade que vale a pena. Não mandamos releases.
A receita? Misturamos um pouco de humor, informação de verdade, um pouco de polemica, muita arte, irreverência, conteúdo, informações relevantes para o consumidor, e o que mais vier à nossa cabeça.Como pode ver, a receita é bem simples, mesmo.
Mas a veracidade dos ingredientes é fundamental para dar certo. Está ligado a quem somos como pessoas genuinas. Nossa história é verdadeira, sem invencionices para impressionar e fazer pose. Levamos para dentro da empresa nossos gostos reais, de objetos a ideias e estilos. Esse é, provavelmente, o grande segredo que posso te passar: seja verdadeiro. Que a comunicação de sua empresa esteja sintonizada com aquilo que você é e acredita. O resto, acho eu, será mera consequência.

 
Ivan Primo Bornes – fundador e masseiro do Pastifício Primo, acredita que um negócio também pode ser trabalhado como uma obra de arte
 

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