Faça três cenários: realista, otimista e pessimista. E fique sempre com o último!

Daniel Fernandes

03 de junho de 2014 | 07h13

Bruno e Juliano escrevem toda quinta-feira
Este é o terceiro post de uma série de seis perguntas que fazemos antes de empreender. Já falamos aqui no Blog do Empreendedor sobre a importância de ser pioneiro e também sobre como criar novas categorias de produtos e mercados
Um dos principais fatores de quebra de empresas brasileiras nos dois primeiros anos de atividade, segundo diversos estudos do SEBRAE, é a falta de um bom planejamento financeiro. É um erro muito comum entre novos empreendedores: esperar que o dinheiro apareça assim que o seu negócio começa a funcionar, e que ele será suficiente para pagar todas as despesas e investimentos do empreendimento já nos primeiros meses.
Para a maioria dos novos negócios, é preciso fazer um investimento inicial em equipamentos, reformas, mobiliário, estoques, etc. Às vezes, é preciso pagar funcionários meses antes de o negócio abrir. E aí você inaugura seu negócio e as pessoas pagam com cartão de crédito – no Brasil, só se recebe esse dinheiro 31 dias depois. Ou você vende seu produto para supermercados que pedem até 45 dias para lhe pagar. Se o empreendedor gastou tudo que tinha só para poder abrir as portas, como pretende pagar as contas e seus funcionários até esse dinheiro realmente entrar no “bolso” da empresa?
Por isso, prever quanto dinheiro você precisará ter em caixa para segurar os primeiros meses (ou até anos) de contas fechando no vermelho é essencial. E para saber quanto é suficiente e o tamanho do risco envolvido, costumamos projetar as entradas e saídas de dinheiro e calcular em quanto tempo o empreendimento deve equilibrá-las.
Fluxo de Caixa
Seguimos uma lição importantíssima que tiramos de um curso que fizemos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. De um lugar onde qualquer um esperaria métodos sofisticados, a lição foi bem diferente: simplifique! !
Aprendemos que, em vez de fazer previsões de vendas segmentadas por região, tipo de produto, ano (“quantas unidade de queijo brie, na embalagem de 1kg, no canal supermercados, vamos vender em Ribeirão Preto até 2016?”), que na verdade não passam de chutes com maior chance de erro que de acerto, é melhor fazer uma simples previsão de fluxo de caixa, com apenas três elementos:
Investimento: Quanto vamos gastar para começar o negócio, além de eventuais melhorias nos primeiros meses;
Custo mensal de operação: Quanto vamos gastar na operação mensalmente
Faturamento: Qual a previsão de entrada, mês a mês.
Isso vai gerar um gráfico mais ou menos assim:

Três Cenários
Fazemos sempre uma projeção realista, otimista e pessimista. E o que importa mesmo é a última: o negócio deve ser no mínimo viável, no cenário mais pessimista possível. Se não for, talvez seja melhor não se arriscar na ideia.
Quando decidimos criar o The Basement, nosso gastropub emBlumenau, acertamos na previsão de que durante seis meses operaríamos com mais despesas que receitas. E antevimos que janeiro seria um mês fraco, quando muitos moradores da cidade vão para o litoral. O fluxo de caixa ficaria positivo depois de fevereiro, melhorando a cada mês.
O gráfico vai variar bastante conforme o tipo de negócio, é claro. Um bar ou restaurante novo costuma atrair muitos clientes logo de cara, interessados pela novidade. Depois, naturalmente perde parte desses clientes. Uma fábrica de laticínios como a que gerimos agora, a Laticínios Pomerode, por outro lado, conquista clientes pouco a pouco, ao longo do tempo. Essas condicionantes devem ser imaginadas na hora de prever o fluxo de caixa de um novo negócio.
Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.