Eu pessoa física x Eu pessoa jurídica

Daniel Fernandes

25 de janeiro de 2013 | 07h43

Professor dá dicas para quem está empreendendo

A semana foi marcada por dicas valiosas da Adriane Silveira, da Nanny Dog, para quem quer empreender no mercado de animais de estimação – o segmento movimentou incríveis R$ 12,7 bilhões em 2012 –, pelo pelo comentadíssimo post do Renato Steinberg, do Fashion.me, sobre a importância de vestuário nas reuniões e do lado humano do empreendedor e de seus colaboradores – esses foram os posts inspiradores da Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, e Pedro Chiamulera, da ClearSale.
E a ligação entre estas contribuições pode ser feita transformando em dica o relato da Juliana Motter e adicionando a ele as dicas da Adriane Silveira: Tenha mentores e coaches.
Há pessoas que utilizam os dois termos como sinônimos, mas apesar do mesmo fim (ajudar o orientado a tomar melhores decisões), o mentor é um especialista no assunto e orienta de modo cirúrgico, técnico e objetivo. O coach (o termo treinador não pegou no Brasil) é um especialista em auxiliar seu orientado (coachee), em refletir, chegar a conclusões, definir seus objetivos, metas e principalmente suas ações para alcançar efetivamente seus resultados, conforme explicado pelo Instituto Brasileiro de Coaching.
O coach não precisa, necessariamente, entender do assunto, mas deve ter o domínio das técnicas de coaching. Eu, por exemplo, sou um dos mentores dos empreendedores Endeavor e Artemísia nos temas planejamento estratégico, captação de recurso e inovação e quando tenho disponibilidade, também atuo como coach no planejamento das ações de decisões nestes mesmos assuntos.
A dica sobre ter mentores e coaches também inclui os posts do Pedro Chiamulera e Renato Steinberg. Pedro apontou frases típicas de empresários como “contratamos o profissional e, que pena, a pessoa veio junto”; “temos que separar a parte profissional da pessoal”; “agora é trabalho, deixe os problemas para trás!” e que é de se esperar que problemas pessoais afetem o desempenho pessoal.
Neste desafio é possível aprender com as grandes empresas de consultoria como a McKinsey. Ela oferece programas internos de mentoring e coaching para seus colaboradores. Estes serviços são prestados por outros colaboradores da empresa e podem servir de inspiração para o time de funcionários.
Mentores e coach também podem ajudar na discussão da vestimenta, como no relato pessoal do Renato Steinberg. O Lula não chegou aos ternos do Ricardo Almeida porque ele estava passeando no Shopping Iguatemi e encontrou por acaso o ‘companheiro’ Ricardo na fila de algum restaurante por quilo da praça de alimentação. Aquilo foi planejamento para ‘melhorar a imagem’. E deu no que deu. Se vestir bem é sempre um ponto de vista.
Com roupas de “marca”, uma decisão pessoal de quem compra. Mas até um mentor em moda ou um coach em ambientes de trabalho podem ajudar um sujeito a se vestir de forma mais apropriada para causar o impacto desejado. Mesmo que seja descalço e é claro, com o pé sujo, como fez Steve Jobs quando foi pedir emprego na Atari. Depois, os pés ficaram mais limpos com os tênis New Balance.
Para os empreendedores que seguirem a dica de buscarem apoio de mentores e coaches, algumas considerações:
É saudável para o negócio e para o empreendedor ter conselheiros para se reportar periodicamente. É um compromisso para identificar, planejar e realizar oportunidades de desenvolvimento do negócio e o empreendedor não se sente tão só nos seus dilemas.
O empreendedor precisa ser humilde para pedir ajuda e ouvir sugestões e, posteriormente, desenvolver sua sabedoria em negócios para tomar decisões baseadas na razão (construída com os conselheiros) ou na intuição pessoal. Não é preciso confiar cegamente no mentor ou no coach só porque ele(a) é o que é.
Quando for buscar conselhos, saiba diferenciar mentores e de coaches. Mentores, em geral, não querem ou não tem tempo em ajuda-lo(a) com a “mão na massa”, mas mesmo assim, pode indicar atalhos que você não imagina que existiam.
Na fase inicial do negócio, pense em ter conselheiros informais já que provavelmente não terá recursos para remunerá-los. Conselheiros informais são amigos, conhecidos e até algum cliente ou parceiro muito comprometido com seus sonhos empreendedores. Mas separe a pessoa física da jurídica!
Quando a empresa estiver migrando de pequeno para médio porte, pense em um conselho de orientação, já formalizado e se possível, remunerado. Quando a empresa migra de média para grande, é importante pensar na formação de um conselho da administração considerando as melhores práticas de governança corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

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