Estimulada pela ONU, pesquisa deve ajudar na construção de cidades mais humanas

Daniel Fernandes

12 de dezembro de 2018 | 09h35

 

Maure Pessanha *

 

Na trilogia Homo Faber, o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e a arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade. Uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno.

Rocinha, no Rio, onde a percepção da população para o aumento de favelas é de 97%. Foto: Wilton Junior/Estadão-30/4/2018

 

Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startup propicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção de que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.re ou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil

 

|Por Maure Pessanha

Na trilogia Homo Faber,o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade; uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno. Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a iniciativa Consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startuppropicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveisé uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.reou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

|Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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