Essa tal de crise que nos tira o sono

Daniel Fernandes

29 de outubro de 2015 | 06h23


Crise é a palavra do momento. Só dá ela.
Eu confesso que também estou bem preocupado. Olho ao meu redor e vejo amigos com carreira corporativa perdendo empregos, amigos empresários fechando empresas ou passando muitas dificuldades, tenho amigos emigrando em busca de trabalho fora do Brasil.
E na nossa pequena empresa a situação é de alerta geral. Todos nos postos de combate. Apertar os cintos.
Sempre se fala o clichê de que nas crises existem grandes oportunidades. Pode até ser. Mas, de fato, o grande desafio é ficar vivo até a crise passar. E se aparecer uma oportunidade, bom, esse já é outro assunto, um bônus.
Para um empreendedor, crises são angustiantes, e podem também ser paralisantes se a gente começar a pensar muito nos pontos negativos: perda do poder de consumo dos clientes, quedas de vendas, inadimplência de clientes, mortandade de empresas, endividamento e todo rosário de dificuldades, e sim, a crise faz congelar os movimentos.
Provavelmente o que de pior pode acontecer a quem lidera um negócio: ficar parado. Como nas situações de frio ou calor extremo, mexer-se é básico para ter chance de salvação. O movimento pode ser a diferença entre sobreviver e fechar as portas.
Não acredito em fórmulas mágicas para se defender de uma crise. E, se elas existem, não as conheço.
Sei apenas que agora, mais do que nunca, vale o que Thomas Edison dizia sobre a genialidade: 1% de inspiração e 99% de transpiração. Não existe caminho fácil: trabalho, muito trabalho, é a chance mais provável de sobreviver.
Isso vale principalmente para os pequenos empresários como a gente. Sei de muitas pessoas que, quando decidem entrar no mundo dos negócios, acham que vão trabalhar menos. E é exatamente o contrário. E mais ainda nos tempos como os de hoje em dia, quado precisamos apoiar todos os setores da empresa, jogar em todas as posições.
Então, quando me perguntam o que estamos fazendo para enfrentar a crise, só tenho uma resposta: estamos trabalhando, muito, ainda mais. Mesmo porque o trabalho é a forma mais eficiente de não se deixar contaminar pelo negativismo geral que toma conta nestas épocas.

E pra não deixar a peteca do ânimo cair, vale também tirar a poeira de uma memorável reflexão sobre a crise, atribuída a Albert Einstein, o mais lúcido dos cientistas:
“Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência.
O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um.
Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.
Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”
Achei a mensagem inspiradora e compartilho com você. Vale pra nossa vida, vale pra nossa empresa, vale para o nosso país, vale pro mundo. Vale pra atual crise e pra todas as que ainda virão.
E mãos na massa!
Ivan Primo Bornes, todos os dias literalmente com as mãos na massa.

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