Criar a cultura do espírito de dono é o maior desafio de um empreendedor

Daniel Fernandes

10 de junho de 2015 | 07h06

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor
Espírito de dono. O maior desafio de um empreendedor talvez seja esse, criar uma equipe que tome decisões com o espírito de dono. É muito natural que pais sempre queiram poupar seus filhos de conflitos. Na infância, somos superprotegidos, afinal, somos crianças, precisamos realmente de proteção. No entanto, a cada dia que passa, precisamos assumir nosso papel de adultos e responder pelas nossas decisões. E claramente nos últimos anos essa proteção tem sido superhiperultra.
Outro dia li uma matéria sobre uma renomada universidade que precisou adotar a reunião de pais e mestres para conversar sobre o comportamento dos “alunos”. Como assim? Alguém poderia me explicar isso? O celular teria alguma dose de culpa na grande ruptura do padrão comportamental? Um tema curioso para um outro post.
De volta ao ponto, exigir que um colaborador tenha a tão sonhada postura sem dar ferramentas pode ser o maior erro.
Da mesma forma que fomos crianças e nos deram todas as diretrizes da vida (mesmo que as ignoremos por via de regra), o colaborador precisa dessa “educação” – nada de palmatória ou métodos coercitivos; algo mais na linha construtivista, digamos.
Para ter espírito de dono, o colaborador precisa ter visão de dono. E como você consegue criar essa cultura dentro do seu time? Se considerarmos que cada indivíduo é o resultado de suas experiências de vida manifestas nas relações sociais (escola, família etc.), estamos diante de um gigantesco desafio em formato de caleidoscópio.
De um modo geral, sobre a postura de dono, ou a pessoa nasce com os atributos necessários para tanto ou precisa ter muita sorte para conseguir ter isso. Mas o que viria a ser a atitude de dono? Entendo que signifique um senso de compromisso. Basicamente, quando um não quer, dois não brigam. Assim, se você se compromete com sua palavra, se está de acordo, cumpra-a. É uma questão de maturidade e de honrar (termo um tanto ultrapassado, mas que cai como uma luva para a situação) a sua palavra. Os adultos fazem isso. Ou deveriam. Desenvolver um profissional que tenha essa atitude nata de responsabilidade torna mais simples o caminho. Pode parecer chavão isto, mas não é. De um modo geral, reflete a experiência positiva que tenho vivido com nossa equipe. Entendo que, se não há essa aptidão nata, que seja construída com o tempo. Assim é o amadurecimento, assim é ser adulto.
Numa empresa, funciona um pouco como uma família: os pais estão todos os dias trabalhando para que os filhos alcancem a tal autonomia e se orientem por princípios muito claros e sólidos. Tudo bem, numa família não existe aviso prévio ou cortes, – apesar de os filhos, quando adultos, procurarem constituir suas próprias famílias, com suas próprias regras (filhos como empreendedores! Curioso). É uma mecânica interessante de se pensar.
Uma empresa, pelo tempo que o colaborador se dedica a ela, torna-se sua segunda casa. Por isso, espero que nossos colaboradores façam valer a pena o tempo que estão conosco e pratiquem o princípio de “ser dono” – como ele deixará de ser empregado e se tornará empreendedor se sempre pensou como empregado? Ou como poderá ser pai se sempre agiu e pensou como filho? De nossos colaboradores, espero que sempre façam valer o tempo que estão distantes de suas famílias e amigos, que produzam não apenas molho de pimenta, mas que produzam valores sociais. E que mostrem o que tem de melhor (não apenas para nós, mas sobretudo para o que ele serão no futuro).
Motivar e mostrar a importância desse tempo investido pelos colaboradores é a semente para conseguir criar a cultura do espírito de dono.

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