Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro: onde buscar apoio no início

Daniel Fernandes

06 de novembro de 2015 | 06h16

Continuando a série “Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro”, agora apresento algumas instituições em que o empreendedor pode buscar apoio.

Para os que pensam em empreender (mesmo com esta crise), o primeiro local que você pode buscar apoio é o SEBRAE. Mas recomendo que comece por um curso específico: O Empretec. Desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Empretec é um treinamento bastante consolidado e aprovado por milhares de empreendedores no Brasil e no mundo. Neste programa você desenvolve seu comportamento empreendedor de forma planejada e consciente. Sempre digo que se você tiver saúde, fazendo o Empretec, nunca mais passará “fome na vida”. Aproveite sua visita a um dos escritórios do SEBRAE para descobrir como a instituição pode ajuda-lo(a) no tipo de negócio que pretende criar e nas competências de gestão que precisa desenvolver.
Se o seu negócio precisar de um laboratório, desses mesmos para fazer experiências científicas e tecnológicas, teste, simulações e validações em várias áreas das ciências exatas e biológicas (mesmo que não seja um cientista, engenheiro ou biólogo) e acesso à máquinas e equipamentos específicos, conheça mais sobre o SENAI, principalmente seus Institutos de Inovação espalhados pelo país. Ainda terá a chance de conversar com pessoas que dominam conhecimentos técnicos que serão imprescindíveis para o alto padrão de qualidade que pretende oferecer nos seus produtos e serviços. E, quem sabe, já não encontra algum futuro colaborador para o seu negócio?
Muitos empreendedores precisam de consultoria em alguma demanda específica. Pode ser o desenvolvimento de uma nova embalagem, um processo produtivo, um plano de negócio ou até um documento jurídico. Mas não conhecem um bom prestador de serviços que “caiba” no seu bolso. Neste caso, pense em procurar uma empresa júnior de alguma faculdade que seja referência na área. A Brasil Junior é a entidade que reúne as empresas juniores, mas é só fazer a busca pelo nome da faculdade e o termo “junior” que conseguirá encontrar a entidade que busca. Se ficar em dúvida sobre a qualidade do trabalho, peça para conversar com outros clientes antes.

Mas há categoria de novos negócios, as “startups”, que também pode se beneficiar de outros apoios. Pela definição do Professor Steve Blank, talvez o principal professor de empreendedorismo no mundo atualmente, uma startup é uma iniciativa em busca de um modelo de negócio rentável, escalável e repetitível. Em outras palavras, é uma ideia de negócio tão inovadora que ainda precisa ser demonstrada, provada e que encontre uma lógica de crescimento sustentável. Por isso, startups são negócios inovadores mais concentrados em setores digitais como soluções de internet, aplicativos e outros serviços web. Se estiver criando uma startup participe de eventos como hackathons, Startup Weekends e eventos de pré-aceleração. São ótimas oportunidades para entender “como se cria uma startup”.  Estes eventos também são boas oportunidades para conhecer pessoas e quem sabe, futuros sócios, parceiros e clientes. Se a sua startup já tiver desenvolvido um protótipo, talvez seja o momento de buscar o apoio de uma aceleradora. A ABRAII reúne as principais aceleradoras do país.
Se estiver buscando um sócio, além de consultar amigos e conhecidos, participar dos eventos de empreendedorismo, pode recorrer ao Cofounders Lab, um site especializado neste tipo de demanda, ou ainda entrar em contato com os núcleos ou centros de carreiras das principais instituições acadêmica, colocando um anúncio para a vaga de “sócio”.  Sim, muitas delas já aceitam esta tipo de “vaga”.

Mas em todas as situações, o primeiro apoio que você deveria buscar não deveria ser de uma instituição, mas de um mentor. O mentor é uma pessoa que é especialista no tipo de desafio que você tem e se dispõe a orientá-lo(a) neste assunto em encontros rápidos. Não é portanto um consultor que desenvolverá um projeto. O mentor dá o “caminho das pedras” naquele assunto e cabe ao empreendedor analisar se o caminho é válido e, em caso afirmativo, trilhá-lo. Por incrível que pareça, os melhores mentores costumam não cobrar por isso. Mas como encontra-los? Defina seus próximos dois ou três grandes desafios e analise quem da sua rede de amigos, conhecidos e conhecidos de conhecidos poderiam ter este conhecimento. O Linkedin ajuda muito neste momento. Entre em contato e convide para tomar um café e uma sessão de mentoria. Boa parte das pessoas se sente lisonjeada em usar seu conhecimento para ajudar outras pessoas.
Mas a lista de entidades que apoiam novos empreendedores no Brasil é imensa. Conhece algum que queira indicar? É só incluir nos comentários!
Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

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