Empréstimo para MEI: conheça linhas de crédito para capital de giro

Empréstimo para MEI: conheça linhas de crédito para capital de giro

Microempreendedor deve ter nome limpo para obter crédito em entidades como Caixa e Banco do Povo Paulista; porém, crédito não salva empresa, apenas dá tempo para se reinventar, diz especialista do Sebrae

Redação

16 de junho de 2020 | 10h26

Por Felipe Chiconato, consultor do Sebrae-SP 

Antes de começar a falar de acesso a crédito para MEI (microempreendedor individual), eu gostaria de alinhar alguns conceitos que podem ajudar muito na tomada de crédito.

Financiamento é quando eu compro algo para investir na empresa seja em maquinário, reforma ou estrutura. A ideia de financiamento é de um investimento, que tem por característica trazer algum ganho para o negócio, seja de redução de custo, produtividade ou qualidade. Normalmente as linhas de financiamentos tem um prazo de pagamento maior, uma carência maior, taxa menor. É normal pedir um projeto e normalmente a garantia é o próprio investimento.

Já o empréstimo, também conhecido como capital de giro, é um recurso que será utilizado para o dia a dia do negócio. Por característica, é uma operação de maior risco para quem empresta e isso faz com que o prazo de pagamento seja menor, a taxa maior e precisa apresentar garantias.

Neste momento muitos empreendedores estão recorrendo a linhas de empréstimos e, segundo estudo do Sebrae, temos o seguinte cenário:

Com este período do novo coronavírus, muitos empreendedores têm tomado negativa no pleito ao crédito. Na última pesquisa feita pelo Sebrae, 58% das micro e pequenas empresas que tentaram crédito tiveram seu crédito negado, 28% ainda não tiveram resposta da solicitação e apenas 14% tiveram aprovação.

A maior causa de reprovações é o fato de a empresa/empreendedor possuir restrições na Serasa ou no Cadin (Cadastro Informativo dos Créditos Não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais), seguida pela falta de garantias ou avalista. A soma destes dois itens representa 43% das respostas válidas.

E o valor médio mensal que 55% das empresas precisam por mês de empréstimo para não fechar é de em torno de R$ 10 mil. Isso caracteriza a fragilidade da gestão dos MEIs e das microempresas. Uma vez que o MEI representou mais de 56% do universo da pesquisa.

Empréstimos para MEI na Caixa e no Banco do Povo têm parceria com Sebrae. Foto: Werther Santana/Estadão

E como o MEI pode conseguir empréstimo então?

Primeiro é não possuir nenhuma restrição na Serasa e no Cadim, tanto no CNPJ como no CPF, já que o MEI não possui separação das pessoas no âmbito legal.

Após isso, é se organizar e dimensionar corretamente o quanto precisa, por quanto tempo e principalmente demonstrar a capacidade de pagamento do valor solicitado. Normalmente isso é feito por meio de uma projeção de fluxo de caixa para pelo menos os próximos seis meses a um ano.

Feito isso está na hora de buscar as linhas que existam no mercado que se enquadrem no seu perfil.

Temos linhas interessantes para MEI em parceria com o Banco do Povo Paulista e com a Caixa, onde ambas parcerias o MEI tem apoio do Sebrae para apresentar as garantias.

Veja linhas de empréstimos para MEI

  1. No Banco do Povo Paulista, o MEI encontra taxa de juros de 0,35% ao mês, com crédito progressivo, chegando em até R$ 21 mil, com prazo de pagamento de 36 meses sendo 3 destes de carência. Informações no site.
  2. Na parceria da Caixa e do FAMPE/Sebrae, o MEI tem até R$ 12,5 mil, com prazo de pagamento de 24 meses, mais nove meses de carência, a uma taxa de juros de 1,59% ao mês. Informações no link.

O maior problema é o empreendedor acreditar que apenas o crédito vai salvar a empresa dele. Ele precisa entender que o crédito é um “antitérmico para a febre”. Será preciso fazer muito mais que isso, precisa fazer o negócio voltar a ter lucro, a faturar, se reinventar.

O crédito apenas vai dar tempo para que ele consiga realizar tais transformações. Não deposite todas as suas esperanças no crédito, se depender disso terá problemas, pois o tempo de resposta está superior a três semanas em 54% do casos.

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