Empresa paga para colaborador desistir do emprego! Você aceitaria?

Daniel Fernandes

02 de maio de 2014 | 07h49

Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper
As melhores perguntas do mundo são sempre as mais simples. Já escrevi sobre isto em outro post sobre como o questionamento ajudou no desenvolvimento da AirBnB.
E uma das perguntas clássicas de Jim Collins, autor de vários best-sellers como “Feitas para Durar” e “Como as Gigantes Caem” é “Você tem as pessoas certas na sua empresa?”.
Mas como ter as pessoas certas para a sua empresa?
De uma forma mais abrangente, tratei disso em outro post quando refleti sobre como Guy Laliberté, co-fundador do Cirque do Soleil, consegue trazer os melhores talentos do mundo. Neste caso, os melhores querem trabalhar na empresa pela sua realização pessoal, reconhecimento e o trabalho em si. Outros aspectos como salário, condições e segurança do trabalho são importantes para manter o colaborador satisfeito mas não atuam de forma a motivá-lo no médio prazo.
Para ter os colaboradores certos, vários empreendedores tem utilizado práticas inusitadas que podem soar, no mínimo, estranho para quem olha de fora.
Que tal aplicar uma prova para todos os colaboradores? Alguns empreendedores adotaram esta tática. Alberto Saraiva, do Habib’s, é um dos mais bem sucedidos no mundo. Como ter mais de 20 mil pessoas certas em mais de 400 lojas em 20 estados brasileiros? Ele escreveu um documento chamado “As 77 Regras de Ouro – Como Administrar uma Loja Habib’s” e criou uma prova em que todos os funcionários devem fazer periodicamente. Se o colaborador não acertar o mínimo aceitável, fica de recuperação. Os melhores, são reconhecidos, recebem prêmios e avançam na carreira. Pode ser uma medida agressiva, mas em tempos em que o funcionário nem sabe que dia é hoje, uma prova pode ajudar no desenvolvimento do negócio, principalmente em organizações com um grande número de colaboradores.
Outra tentativa de encontrar as pessoas certas é oferecer dinheiro para que ele(a) peça demissão. Este foi o recurso adotado pelo Tony Hsieh, empreendedor da Zappos.com, um empresa de comércio eletrônico de calçados nos Estados Unidos que tem se posicionado entre as empresas mais admiradas do país. Sua trajetória como empreendedor é marcada por várias táticas arriscadas que deram certo. Uma delas é chamar o novo contratado após quatro semanas de treinamento e uma de trabalho e oferecer US$ 2 mil para que ele(a) deixe a empresa. O que aconteceria na maioria das empresas? Na Zappos, cerca de 97% das pessoas preferem ficar. Encontraram ótimas motivações para continuar na empresa e o dinheiro não é uma das principais.
Mas o que poucos perceberam é que há uma armadilha para o colaborador que decide pegar a grana e sair. Quem contrataria alguém que desistiu de atuar em uma das melhores empresas para se trabalhar nos Estados Unidos e preferiu morder a isca do dinheiro?
Será que esta seria a pessoa certa para a sua empresa? O que diria para ela?
Aceitou sair? Você não é caveira, é moleque! Não contrato moleques! – Diria certo empreendedor Nascimento…
 

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