Empreender é superar a dor e chegar até o fim! A incrível maratona olímpica de 1984

Daniel Fernandes

28 de junho de 2013 | 07h42

Gabriela chega ao fim. Desistir jamais!!!

Gabriela Andersen. Tenho certeza que você a conhece. Mais especificamente Gabriela Andersen-Schiess. Talvez não se lembre dela agora. Mas se mencionar só duas palavras, a imagem dela aparecerá, cambaleante e lentamente, na sua memória: maratonista e superação. Quando entrou no estádio olímpico de Los Angeles em 1984, a maratona já havia acabado há muito tempo.
Ela estava desidratada, desorientada e com fortes câimbras na perna esquerda. Demorou dez minutos para finalizar os últimos 200 metros. Dez minutos com uma plateia de pé, aplaudindo, gritando, chorando. Anos depois, questionada sobre aquele momento, disse: “Eu não achava que aquilo era algo especial e não entendia porque a imprensa estava tão fascinada com aquilo.Você deve tentar terminar aquilo que se propôs a fazer”.
Ninguém se lembra da vencedora da prova, mas todos que viram a chegada da Gabriela nunca se esquecerão daquele momento. Talvez só ela se esqueça, pois, para ela, não foi um momento especial, só um momento de dor como tantos outros que todos temos.
Isso passa, como passou para ela. Duas horas depois já estava sorridente e feliz com a chegada. Assim como os esportistas, os empreendedores também têm suas dores, competidores e corridas para ganhar. E são desses momentos diários de dores organizacionais que os empreendedores blogueiros do Estadão PME trataram em vários posts nas últimas semanas. Algo que pode simbolizar essas dificuldades, mesmo que de forma resumida, é o post Empreender é ter paciência, a mesma usada para fazer brigadeiro publicado nesta semana pela Juliana Motter, da Maria Brigadeiro.
“Não adianta reclamar… Eu poderia passar todo o tempo que eu não tenho explicando o quanto difícil é administrar uma empresa”.  Mas Juliana tenta terminar o que ela se propôs a fazer: “Quando procuro respostas, miro o foco no que me fez empreender: o brigadeiro”.
Mas enquanto lia o post da Juliana pensava em outro que trazia uma mensagem totalmente oposta. Minha loja preferida de cupcakes iria fechar as portas. Assim como a Maria Brigadeiro inovou no mercado de brigadeiros gourmet, essa empresa criou o conceito de minicupakes veganos. Mais de 3 mil unidades em mais de 44 sabores eram feitos todos os dias. Loja lotada, atendimento impecável, decoração e comunicação visual alinhada com a proposta “de casa de amigos” e milhares de clientes que se tornaram embaixadores da empresa (como eu).
Só quem viu pessoalmente a apresentação que o empreendedor fazia, por exemplo, sobre o minicupcake de cenoura com chocolate sabe que aquilo ali o fazia feliz e orgulhoso. Nunca tinha visto pessoas se emocionarem com um bolinho…
Certa vez, uma amiga comeu o tal bolinho com os olhos cheios de lágrimas. Há dois meses tinha encontrado os empreendedores em uma festa de amigos que temos em comum. Tudo ia bem, falava-se em expansão, mas também da enorme dificuldade de encontrar pessoas que ajudassem o negócio a crescer. Tudo ia bem até eu apresentar um amigo, super especialista em empreendedorismo, ao empreendedor. Achei que ambos iam trocar boas experiências sobre empreendedorismo. E fui embora feliz por ter saboreado vários minicupakes na festa.
Dias depois fui perguntar o que este meu amigo tinha achado da empresa. Ele disse que a empresa estava com vários problemas e que o empreendedor era bom mesmo no seu ramo anterior que era tecnologia da informação. Deveria desistir do negócio e voltar para aquilo que era sua verdadeira competência.
É isso que muitos técnicos dizem aos seus corredores. Tá com dor? Desista!
Tudo isso me fez lembrar da Gabriela Andersen. Depois de muito pensar sobre o que a fez terminar a prova, disse: “Tudo não gira apenas em vencer. É sobre ser capaz de competir com o que há de melhor no mundo”. E todos nós podemos ser o melhor do mundo, pelo menos para os nossos fãs. Diante da dor, o que devemos colocar na frente: nossa competência (o que fazemos bem) ou nosso propósito (o bem que propomos a fazer)?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: