Empreender é como jogar pôquer

Daniel Fernandes

07 de maio de 2013 | 06h55

É preciso sorte para empreender

Você sabe quando perde bastante dinheiro no pôquer? Quando você tem uma boa mão. Aí você aposta pesado, seja para tirar do jogo os seus oponentes ou para ganhar mais dinheiro. Mas com exceção do royal straight flush, a mão mais alta de todas, alguém sempre pode ter um jogo melhor que o seu.
Tocar uma empresa é um pouco como jogar pôquer, mas as apostas são bem mais altas. Algumas vezes, você tem um ótimo produto ou serviço, que passou meses desenvolvendo e o seu concorrente pode lançar um melhor que o seu um dia depois. Você tinha uma boa mão, mas não o melhor jogo.
Pôquer é um jogo que envolve não só as cartas, mas as pessoas. Para ser um bom jogador, você precisa conseguir ler as pessoas, quando entrar, quando desistir e quando blefar. Algumas vezes não importa quem tem o maior jogo, o que importa é se você consegue ler o seu oponente.
Os profissionais chamam isto de meta-jogo. Nas empresas também existe o meta-jogo. As vezes a sua empresa tem o melhor produto e seu concorrente, sabendo disso, pode usar estratégias que te façam desistir: investindo mais em divulgação ou apontando o que é melhor no produto dele em comparação com o seu.
Um dos grandes problemas do jogador amador de poker é que ele não consegue entender as probabilidades de cada jogada. Qual é a chance de sair um As na próxima carta? Qual é a chance do meu oponente ter feito um flush? Além de entender as probabilidades, é preciso entender a magnitude da diferença entre elas: é quase 10 vezes mais fácil fazer um fullhouse do que uma quadra, e ainda assim, um fullhouse só se faz 1 vez a cada 700 jogadas.
Entender o seu mercado pode ter o mesmo problema. Nós não temos uma visão geral de todo o mercado, olhamos para o mercado com os nossos olhos. É fácil achar que todo mundo tem smartphone se você andar pelos bairros nobres de São Paulo, por exemplo, mas isso pode não representar o seu mercado todo.
Existe um lado psicológico no pôquer também. Algumas vezes você desiste pelo jeito com que o seu adversário fez a aposta. Alguma coisa no jeito como ele te olhou fez você perceber que ele deve ter um bom jogo. Pode ser algo que você capturou no seu inconsciente, uma alteração na fala ou uma agressividade na hora de colocar a aposta na mesa.
Nessa hora você tem que seguir o seu instinto. Nas empresas também existe um jogo psicológico, algumas vezes você tem um feeling sobre um cliente, o jeito que ele falou, ou a forma como ele se colocou na reunião pode ser o sinal que você precisa para saber como fechar o contrato. Vale seguir os instintos.
Apesar de tudo isso, o pôquer é um jogo de sorte (ou de azar). No fim, quando você tem boas cartas, a chance de ganhar aumenta muito, basta não fazer nenhuma grande besteira. Na empresa é a mesma coisa, a sorte conta e muito. Quando você ver que você tem boas cartas na mesa, tome cuidado para não fazer besteira. Só isto já pode ser suficiente para se tornar uma empresa de sucesso.
 

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