Empreendedorismo para crianças: O fracasso dos três porquinhos

Daniel Fernandes

04 de julho de 2014 | 06h10

Marcelo Nakagawa é professor do Insper
Imagino que esteja se divertindo muito em Barcelona. Mas, se por acaso, passar em uma livraria e achar os três porquinhos em catalão, poderia comprar para mim?
Ele está na Catalunha agora e eu sempre abuso dos amigos pedindo o livro Os três porquinhos no idioma local. Você vai ficando velho e criando manias. Uma das minhas é colecionar Os três porquinhos.
Quando minha filha nasceu há quase cinco anos atrás, passei a ter uma sócia na coleção. Tentamos ler quando dá (inglês, francês, português de Portugal e até africâner) e quando não dá (chinês, russo, coreano, grego) ficamos tentando, pelo menos, escrever três porquinhos na escrita local. Depois vamos ver em que lugar do mundo o livro foi comprado.
Por isso, os três porquinhos é um livro tão importante para mim. Simbolicamente, representa o valor do planejamento, da perseverança, da inovação e de saber lidar com as contingências. São as bases do comportamento empreendedor. E ainda podemos aprender geografia, história, entre outras coisas.
Mas comecei a colecionar este livro em vários idiomas muito antes de ser pai, pois esta seria minha herança para os meus filhos. Sou da linha de Monteiro Lobato que acredita que um país se faz com homens e livros e também, que você é o que você lê.
Por isso, a coleção de livros da minha filha só aumenta. Ela tem muito mais livros do que “brinquedos” que, no fundo, são a mesma coisa para ela. No dia de levar brinquedo para a escola, vez ou outra, leva um livro. Ela gosta tanto de livro que o pior castigo que pode receber é eu não ler para ela antes dela dormir.
Entre as centenas de livros que tem, estes estão entre os seus preferidos:
-> O coelhinho que não era da Páscoa (Ruth Rocha): Vivinho era um coelhinho que não queria seguir a carreira do pai, avô, bisavô como todos os outros irmãos: ser coelho da Páscoa. Foi aprender a fazer doces, inclusive… ovos de chocolate. E justamente naquela Páscoa, sua família não conseguiu comprar ovos para distribuir… O que aconteceu com Vivinho?
-> Olivia opens a lemonade stand (Kama Einhorn): Olivia é uma porquinha que, junto com seu irmão, decide abrir uma barraca de limonada na frente da sua casa. Mas dá tudo errado. Seu irmão troca o açúcar por sal e para complicar, sua melhor amiga abre barraca que vende limonada rosa, uma novidade que atrai muitos clientes. O que faria se estivesse no lugar da Olívia?
-> Minnie’s Bow-Tique (Susan Amerikaner): Minnie abre uma loja que vende laços de vários tipos e cores. Cada cliente, Mickey, Donald, Pluto e até o Bafo de Onça, que chega tem uma preferência. Por que será?
-> Diferente como Chanel (Elizabeth Matthews): Eu não gosto nem desgosto da marca Chanel, mas a trajetória de Gabrielle “Coco” Chanel, principalmente até o momento em que cria a Maison Chanel é incrível. Aqui, o período da sua infância pobre, o emprego em uma alfaiataria até a abertura da primeira loja é contada de forma ilustrada e remete a perguntas complexas como: Por que as mulheres não podiam usar calças naquela época?
Mas seus livros preferidos mudam todos os dias. Sempre tem espaço para príncipes e princesas, lobos maus em diversas montagens ou personagens da televisão ou cinema. Ainda bem.
Enquanto ela ensaia suas primeiras leituras sozinha, meu próximo pedido de livros deve chegar em breve, incluindo Rose Revere, Engineer (Andrea Beaty). Neste livro, lindamente ilustrado, a tia-avó de Rose vem visitá-la e conta a única a coisa que não conseguiu fazer: voar. Rose então começa a projetar uma máquina voadora. Ao mostrá-la para seus familiares, o objeto de Rose se espatifa no chão. Para seu espanto, sua tia diz que sua invenção foi um sucesso. “Você fracassa mesmo, quando você desiste!” – explica.
Nossa coleção vai continuar aumentando e eu adoro novas sugestões! O que você tem lido para seus filhos?

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