Empreendedores têm mais chance de ter doenças como depressão, diz pesquisa

Daniel Fernandes

18 de fevereiro de 2019 | 10h34

Por Ivan Bornes *
Não é segredo que a vida do empreendedor é dureza e que eles precisam estar sempre prontos para encarar os altos e baixos dos problemas diários, especialmente quando falamos do Brasil e suas peculiaridades.
Hoje em dia os negócios precisam de atenção 24 horas por dia e, se é o olho do dono que engorda o gado, também é o olho do empreendedor que precisa estar sempre atento para não perder oportunidades e/ou não perder dinheiro. Estar sempre em estado de alerta contínuo não é algo saudável para a maioria das pessoas, mas a grande maioria dos pequenos empreendedores não tem muita opção, pois a construção de um negócio é quase feita de muito sacrifício.
Nos Brasil, não temos muitos números nem pesquisas a respeito, mas um artigo publicado nos Estados Unidos em 2015 chamado

me chegou às mãos e me fez refletir e escrever este texto de alerta.

Depressão é uma das doenças que podem ser mais frequentes em empreendedores. FOTO: Celso Júnior/Estadão

O professor Michael Freeman, da Universidade da Califórnia, e mais outros colegas de Stanford e Berkeley realizaram um extenso estudo dos problemas e dificuldades que os empreendedores sofrem. Me parece, numa opinião totalmente empírica, que os números no Brasil, onde as condições são mais desafiadoras, devem ser muito, muito piores.
Conforme a pesquisa norte-americana, os empreendedores têm:
– 50% mais chances de ter problemas mentais
– 2 vezes mais chances de sofrer de depressão
– 6 vezes mais chances de ter TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade)
– 3 vezes mais chances de fazer abuso de álcool e drogas
– 10 vezes mais chances de desenvolver bipolaridade
– 2 vezes mais chances de experimentar pensamentos suicidas
– 2 vezes mais chances de ser internado num hospital psiquiátrico

Estes números são realmente assustadores. E são números dos Estados Unidos, onde o ambiente de empreendedorismo é notoriamente amigável. Parou para pensar no Brasil?
Um efeito secundário da crise que vivemos no País é que muitas pessoas estão sendo empurradas ao empreendedorismo por pura necessidade, sem os devidos preparos técnico, financeiro e emocional. Fica o chamado de socorro.
* Ivan Primo Bornes é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

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