Empreendedor, quando vê uma cobra, mata a cobra; grande empresa cria comitê de cobras

Daniel Fernandes

08 de fevereiro de 2019 | 10h30

Por Marcelo Nakagawa *

“Velocidade é a nova moeda no mundo dos negócios!”, disse Marc Benioff, empreendedor da Salesforce, durante o encontro de líderes no World Economic Forum há alguns anos. Mas Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa, diz exatamente a mesma coisa, mas com o poder de expor corporações burocráticas e entrincheiradas com sua frase inteligentemente sarcástica sobre os cobras e as cobras do ambiente empreendedor em relação ao empresarial.

Mas como ser grande, ágil e eficiente ao mesmo tempo? Praticamente todas as grandes corporações ao redor do mundo lidam com esta pergunta diariamente. E a resposta é dada por outrora startups que se tornaram gigantes, mas que conseguiram se manter ágeis, inovadoras e muito eficientes. Cada uma delas conseguiu criar sua própria receita de grandeza, agilidade e eficiência.

O fundador da Netflix, Reed Hastings. FOTO: Steve Marcus/Reuters

Liberdade e responsabilidade: Este é o nome da receita da Netflix. Do aluguel de DVDs ao Oscar (com o filme Roma), a startup fundada por Reed Hastings assombra as empresas tradicionais de mídia e entretenimento e tem se emparelhado com a Disney em valor de mercado desde 2018. “Pessoas responsáveis ​​prosperam na liberdade e são dignas de liberdade. Na Netflix, achamos que você precisa criar um senso de responsabilidade em que as pessoas se importem com a empresa. Trabalho duro, como longas horas no escritório, não importa tanto para nós. Nós nos preocupamos com um ótimo trabalho”, diz Hasting. Sua apresentação (veja aqui) sobre como funciona a receita de liberdade e responsabilidade na Netflix tem servido de inspiração para milhares de startups e empresas de todos os portes ao redor do mundo.

Regra das duas pizzas: Curiosa, mas esta é a receita peculiar de celeridade e eficiência que tornou a Amazon uma empresa trilionária. Para Jeff Bezos, fundador da companhia, sua empresa deve funcionar sempre por meio de pequenos times para ganhar agilidade. “Se não puder alimentar uma equipe com duas pizzas, então está muito grande”, explica. Este ensinamento também tem sido um dos principais mantras de vários empreendedores e um número cada vez maior de grandes empresas, afinal, se funciona para Bezos, tende a funcionar para grandes corporações menores do que a Amazon.

OKR: Mais do que a sigla de Objectives and Key Results, é o método de gestão de objetivos e resultados que explica o sucesso do Google e objeto de estudo de dez entre dez empreendedores que lideram startups de alto crescimento e que tem atraído a atenção de um número crescente de grandes empreas. “OKR nos ajudou a conduzir um crescimento de 10x, durante muitos anos”, explica Larry Page, cofundador, no prefácio do livro sobre o assunto escrito pelo investidor John Doerr. Se tiver interesse em compreender o que é OKR e como o Google utiliza esta abordagem, veja este vídeo.

Squads: E não é possível falar de gestão ágil sem mencionar como a Spotify, que conseguiu integrar diferentes técnicas de gestão ágil e integrá-las por meio de squads, tribos e produtização da organização. Visitar a sede da startup para entender como funcionam seus esquadrões se tornou obrigação para as organizações tradicionais que querem ou precisam se reinventar para inovar ou, em casos mais graves, sobreviver. Mas não é preciso ir até Estocolmo, na Suécia. É possível entender este método por meio da explicação da própria empresa neste treinamento sobre a sua cultura organizacional.

Assim, se atua em uma grande corporação, quando vir uma cobra e precisar matá-la, forme squads!

* Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e também professor de Inovação do Instituto Butantan, onde ficar matando cobras não tem a mínima graça.