E se Cristóvão Colombo fosse empreendedor, ele receberia investimento?

Daniel Fernandes

09 de abril de 2013 | 07h03

Seria difícil convencer o rei da Espanha?

Outro dia estava debatendo sobre como era o empreendedorismo antigamente e como era diferente dos dias de hoje. Imagine se Cristóvão Colombo precisasse de investimento para descobrir a América nos dias de hoje.
Seria algo assim:
– Bom dia majestade, rei da Espanha. Eu tenho uma ideia revolucionária. Vou descobrir um novo caminho para as Índias.
– Sei, como você vai fazer isso?
– Vou navegar para o Oeste
– E quanto isso vai custar?
– Eu preciso de três caravelas, comida e bebida. Eu não sei direito quanto tempo eu vou demorar…
– E você precisa de dinheiro, mas não consegue me calcular o retorno? E se for mais caro do que você imagina? Temos que considerar o risco de o mundo ser plano…Tem gente que acredita nisso. Além de tudo, você pode morrer e isso faz com que o ‘valuation’ diminua…
– Mas majestade, eu tenho tudo planejado, se eu tiver sucesso você vai fazer uma enorme fortuna com o novo caminho para as Índias.
– Me prepara uma planilha com as principais linhas de despesa e receita e uma apresentação para eu levar para o ‘board’
– Ok…
Algum tempo depois:
– Cristóvão, eu falei com o board, e eles aprovaram. Não vai ser tudo o que você pediu, mas dá para tentar
– Obrigado”.
Aí, Cristóvão volta da América e faz outra reunião com o investidor:
– Majestade, eu não descobri o caminho para as Índias, mas eu descobri um novo mundo.
– Então, você falhou!
– Mas majestade, é um novo mundo. Podem ter muitas riquezas. Eu vi ouro em um colar de uma nativa. Preciso de mais recursos para voltar lá.
– Você me pediu dinheiro para ir para a Índia, não conseguiu e ainda me pede mais dinheiro para tentar achar ouro em uma terra que você não conhece. Como você sabe que a nativa não comprou o colar em Paris?
– Majestade, como ela poderia ter ido para Paris?
– Não interessa, não dá para basear uma nova rodada de investimento em um colar de uma nativa. Você falou com ela?
– Ela não fala a minha língua majestade.
– Tá vendo, não temos evidencias de que o modelo de negócio seja sustentável. Dessa vez vai ser difícil o ‘board’ aprovar.
Bom, eu não sou nenhum especialista em história, e tenho certeza que não foi exatamente assim que Cristóvão Colombo descobriu a América, mas eu acho que temos algumas coisas a aprender com ele e com todos os outros empreendedores do passado: eles arriscavam suas vidas em seus projetos. Mesmo sem um plano de negócio elaborado e com pouca evidencia de que o seu projeto podia dar certo, eles iam atrás.
Eles não desistiam de suas ideias facilmente. Os empreendedores e investidores de hoje são muito bitolados no retorno de investimento, na mitigação de risco e na busca de um mercado consumidor. De vez em quando você precisa só das suas próprias convicções para descobrir a América.

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