É o pessimismo tradicional? Nosso senso de inferioridade? Começo a acreditar que não…

Daniel Fernandes

12 de março de 2015 | 07h05

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog
Ultimamente, o cenário político nacional tem vivido turbulências, na verdade, escândalos de corrupção e denúncias estão acontecendo há anos. Ultimamente tem ocorrido, ao que parece, o estopim.
De alguns meses para cá, ouço constantemente de algumas pessoas do meu círculo de amizade: “a situação tá ruim”, “tá tudo parado” (referem-se ao mercado), “ninguém tá comprando nada” etc. Fico pensando se é realmente o caso, ou se é apenas o tradicional pessimismo e senso de inferioridade que o povo brasileiro carrega (e fomenta) há tempos. Aquele que diz que por aqui nada funciona, que o preço do carro nos EUA é três vezes mais barato que no Brasil, que lá tudo funciona, o bom e velho ditado “a grama do vizinho é sempre mais verde”, resume bem.
Começo a acreditar que não é o caso, pelo menos dessa vez. Acho que as reclamações são pertinentes, o Brasil precisa de diversas reformas e urgentes. Querer modular as reformas em política, fiscal, econômica etc é perda de tempo, precisamos é fazer um reboot do sistema, formatá-lo e reinstalá-lo. No meio de tudo isso, estamos nós pequenos empreendedores, parte fundamental na economia de qualquer país. Mas o cerco vem apertando, basta ver os protestos dos caminhoneiros. Existem diversos setores sendo extremamente pressionados na cadeia e são forçados a não formalização, sonegação, riscos etc para permanecerem competitivos.
Aliviar a carga tributária? Nem pensar. Facilitar, simplificar acesso e condições de financiamento? Negativo. Modernizar a legislação trabalhista? Não dessa vez. Quanto tempo mais vai demorar para que as mudanças necessárias sejam feitas? O modelo de décadas atrás de querer instalar grandes empresas no País já foi, até por que a grande maioria já está aqui, mas também está em outros países e sempre, sempre, vai ponderar com base no resultado onde é o melhor lugar para estar.
Nesse furacão de escândalos de necessidades a pequena empresa luta para sobreviver, entre um mercado com alguns valores culturais distorcidos, pressão por custos cada vez maiores e o governo querendo a sua parte, custe o que custar.
Queremos que, independente de partido, presidente, governo, situação, oposição, que as mudanças sejam feitas, pois são necessárias e independem de interesse, pois é interesse comum. Está mais que claro o que é preciso ser feito, a pergunta é, vamos esperar as próximas eleições ou tentaremos mudar no nosso dia a dia? Aonde está o nosso alcance?
Sendo mais ativos nas cobranças?

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