É hora de avaliar prós e contras de franquia sem deixar emocional tomar conta

É hora de avaliar prós e contras de franquia sem deixar emocional tomar conta

Quando as luzes de eventos e feiras, como a ABF Expo Franchising, se apagam, é o momento de pensar em metas a cumprir que façam das pessoas empresários e não refugiados

Ana Vecchi

01 de julho de 2019 | 12h02

A ABF Expo Franchising e a Franchising Week acabaram no último sábado, 29, às 18h30, com todos exaustos, muitos realizados, inúmeros satisfeitos, centenas de pessoas com a certeza de terem encontrado o negócio de suas vidas e milhares de outras com muitas dúvidas, perguntas que só surgiram depois, números e cálculos nas cabeças.

Sacolas com folders, cartões de visitas, brindes, anotações, ideias e contatos seguiram com todos os expositores e visitantes para suas casas. E as promessas de um futuro profissional melhor fazem parte deste cenário, anualmente. São estes os dados publicados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF):

  • Em quatro dias de evento, mais de 400 marcas de diversos segmentos do franchising
  • Mais de 90 horas de palestras gratuitas na Arena do Conhecimento, onde foram recebidos 3.200 participantes
  • Geração de conteúdo e networking para uma visitação de 66.200 empreendedores
  • Boulevard de Microfranquias trouxe mais de 40 redes com este modelo de negócios e investimento de até R$ 90 mil

Como sempre, palestrei ao longo dos dias e me deparei com os olhares de “me dê a dica para comprar a melhor franquia”. Mas o que faço é exatamente o contrário: orientar em como não deixar o emocional tomar conta do racional para não se envolver com alguma marca por impulso, sem todo o estudo e o planejamento necessários, avaliando o momento de vida e por que uma franquia seria a melhor opção de negócio ou investimento neste período. E capital de giro!

Tempo e planejamento devem fazer futuro empreendedor evitar se envolver com marca por impulso. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

As filas para a Arena do Conhecimento demonstraram o quanto as pessoas, que pensam em empreender, precisam de informação, buscam por ela e acreditam no que expomos. Num café entre palestras, com minha amiga e parceira de décadas de clientes e projetos Andrea Oricchio, advogada, comentamos a responsabilidade que temos nestes palcos, onde futuros empreendedores, ainda leigos no tema, estão encantados pelos corredores daquele shopping center de negócios, sonhando com o negócio próprio e com os números sempre crescentes do franchising. Sem ter ideia do que é ser franqueado, de verdade.

Podemos estimular uma decisão inadequada se apenas exaltarmos os trunfos de uma boa franquia, a seriedade e o profissionalismo de franqueadoras e a ausência de risco em negócios franqueados! Cabe mais, a nós instrutores e palestrantes, salientar os riscos, mostrar o que ser empresário exige de nós em termos de dedicação, escolhas, ônus, os papéis de todos os envolvidos, o aceite da família e do que abrimos mão ao decidir pelo empresariado.

E sabe quando você vê que acertou? Quando mesmo tirando os pensamentos das nuvens e trazendo a plateia a por os pés no chão e ampliar a visão sobre negócios, ao acabar a palestras, eles vêm te agradecer o “abrir de olhos”, as palavras certas para não caírem em roubadas, as brincadeiras que aliviam a tensão das dúvidas. E, ao mudar de palco, mais de 50% seguiu você para outra palestra, de outro tema, mas você é a mesma palestrante.

As feiras de franquias movimentam milhões de tudo: reais, investimentos, resultados, pessoas, expectativas, promessas, sonhos, decepções, montagens, realidades, novatos e seniores. É uma trama linda de ser ver, que evoluiu muito ao longo de mais de 30 anos, ainda assim há mais do mesmo muitas vezes e inovação no mais das vezes.

E, quando as luzes se apagam, pessoas como Andrea Oricchio e eu rezamos para que todos sejam responsáveis com suas metas a cumprir e no envolvimento na vida dos que se sentem seguros, ao entrar na embarcação para cruzar o oceano azul, que os fará empresários e não refugiados (do emprego, do luto, do divórcio, dos filhos que cresceram)!

Foi um evento muito representativo, fóruns de discussão com temas sempre relevantes e contemporâneos, o encontro de inúmeros conhecidos e amigos de longa data, com muita gente nova, mas ainda assim a gente se sente em casa quando nos encontramos. Parabéns ABF, André Friedheim, equipe e fornecedores do evento!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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