E-commerce deve ser visto como complementar para franqueado de loja física

E-commerce deve ser visto como complementar para franqueado de loja física

É fundamental saber que o comércio eletrônico da marca franqueadora não concorre com lojas físicas de franqueados; há formas de fazer a gestão e a remuneração adequadas

Ana Vecchi

19 de agosto de 2021 | 18h30

Entre as várias barreiras do empreendedorismo solo está o universo online, onde listamos o custo de tecnologia e de distribuição, convergência de tecnologia, necessidade de muito capital, solução nichada e o conhecimento da jornada de compra, tendo o cliente no centro do propósito, dentre alguns dos outros fatores.

A solução nichada é uma mudança de cultura fantástica porque deixa de ser a simples venda do produto para a experiência da compra do produto que trará uma solução para o estilo de vida do consumidor.

Percebo, ainda, muita dificuldade de empresas entenderem ou realizarem esta proposta e, talvez, não à toa, muitos voos solo se deram bem em criar negócios de soluções durante a pandemia. Por focar em soluções e não em venda de produtos!

O não engessamento desses empreendedores, em modelos tradicionais de negócios, permitiu a liberdade criativa! Mas, há um outro lado, descrito no 1º parágrafo, que tornou inviáveis muitas decolagens de sucesso perene.

O e-commerce não concorre com as lojas franqueadas físicas. Há formas adequadas de se fazer a gestão e a remuneração. Foto: Rupixen/Pixabay

O e-commerce não concorre com as lojas franqueadas físicas. Há formas adequadas de se fazer a gestão e a remuneração. Foto: Rupixen/Pixabay

Nesta análise de investimento e/ou carência de conhecimento, a franquia cai como uma luva (solução), porque franqueadores já têm isso pronto, investido, testado ou em teste, além da força das marcas que atraem clientes.

Os novos tipos e conceitos de lojas, entre os pontos de contato com clientes como store shipping, pick up store, prateleira infinita, guide store, requerem integração de dados e de canais, cuja estrutura de franqueadoras consolidadas ou nascendo já dentro dessa cultura de gestão fortalece franqueados.

A nova economia assimétrica e disruptiva faz valer, cada vez mais, a nova tecnologia que promove a escalabilidade, o crescimento exponencial, o que requer um modelo de gestão transparente, confiável e responsável. Sempre quisemos isso, mas não é uma premissa universal, sem exceções, sabemos disso. Há seres humanos envolvidos.

A pandemia provocou uma certa tolerância ao erro, pois “todos” foram pegos de surpresa e tiveram que se adequar, reinventar, sobreviver, ainda que alguns setores foram privilegiados pelo momento. Mas, já fomos, como consumidores, intolerantes aos erros de nossos fornecedores e estamos voltando a ser exigentes, pois já não faz mais sentido justificar o erro. Já deu tempo para os ajustes e inovações necessárias.

E-commerce como complemento

O e-commerce faz parte do ecossistema de cada empresa franqueadora, portanto da rede franqueada. Ainda mais com os conceitos de lojas que vendem pelos tablets e oferecem várias opções de os clientes receberem seus produtos, tê-los nas mãos: delivery, entrega, pegar na loja, comprar em um PDV e pegar em outro, sair da loja com o que comprou, no momento da compra – esta opção está ficando similar à brincadeira de que nossos celulares até fazem ligação telefônica.

Fundamental saber que o e-commerce não concorre com as lojas franqueadas físicas, há formas de fazer esta gestão e remuneração adequadas, empresas que servem de benchmarking para aqueles que estão lidando com o assunto sem domínio ainda. Entendemos que faz parte do processo evolutivo de cada empresa.

Não há mais como um(a) candidato a ser franqueado se negar a fazer parte de uma rede por se sentir ameaçado pelo e-commerce da marca, próprio ou num marketplace. Muito provavelmente, ele(a) não tenha perfil para fazer parte dela.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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