Duas visões de mundo

Daniel Fernandes

20 de novembro de 2015 | 07h57


Uma padaria, em São Paulo, resolveu orientar seus clientes a não contribuir com dinheiro para moradores de rua, que por conta da ação não mais saem da porta do estabelecimento. Essa orientação surgiu por meio de uma placa, afixada bem em frente aos caixas responsáveis por coletar os pagamentos.
De acordo com o representante da padaria, que pediu para não ser identificado, a decisão de fazer esse pedido aos consumidores que frequentam o local não tem a ver com um ato de repúdio aos moradores de rua. “Não tenho nada contra pobre, mas eles querem dinheiro, não comida”, afirmou. “Se dou (comida) para dois, vem dez. Se dou para dez, vem vinte. Meu objetivo é que todos vivessem bem e não precisasse disso.” Ainda segundo esse representante, os pedintes dormem do outro lado da rua e fazem suas necessidades no local.
A atitude do empresário se justifica? No lugar dele, o que você faria? Fiz uma pesquisa rápida em um grupo no Whatsapp formado por pessoas que estudam comigo na Fundação Getúlio Vargas (FGV). O objetivo era brevemente apurar qual o impacto da placa nesse grupo específico de pessoas. Poucos se manifestaram. Mas uma resposta me chamou a atenção: “Por que esse empresário não faz diferente, convida seus clientes a comprarem uma refeição solidária e em determinados horários do dia as entrega, de forma organizada?”
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O motivo da padaria existir não é ser um negócio social. Ela visa o lucro de seus proprietários ao se esforçar por oferecer os melhores produtos para os consumidores. Mas a padaria, a farmácia, o comércio em geral, as empresas de serviços. Grandes ou pequenas. Deveriam prestar atenção em uma outra visão de mundo.
Ganha força, como tendência, o empreendedorismo social, em que negócios surgem também com uma causa. Não há nada de inocente nesses negócios. Eles visam lucro, como qualquer outra empresa, mas prometem destinar uma parte desses ganhos para o bem-estar social. Pode ser na região onde a empresa está localizada. Pode ser também em alguma área em que vivem pessoas mais necessitadas.
Essa segunda visão de mundo – lucrar e promover o bem-estar – está atrelada, como dissemos, a uma tendência que já ganhou até nome próprio. Empreendedorismo social. O caso mais famoso no mundo talvez seja o da empresa TOMS, nos Estados Unidos. Para cada par de sapatos adquirido por um consumidor, a companhia criada por Blake Mycoskie se propõe a doar outro par para pessoas necessitadas. De acordo com Bel Pesce, colunista do Estadão PME, 45 milhões de pares já foram dados à crianças carentes ao redor do mundo.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME
 
 

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