Lições que aprendi quando quebrei minha empresa

Daniel Fernandes

17 de dezembro de 2012 | 07h46

Pedro mostra valores para empreender

Quando pensamos em abrir um negócio, geralmente, não temos a noção do todo. Quando comecei a empresa, não sabia nada de administração, impostos – uma das coisas mais chatas, complicadas para se lidar e injustas –, fluxo de caixa, folha de pagamento, benefícios, etc.
Somente sabia programar e amava lançar sistemas operacionais. Era como uma obra de arte viva que transformava o ambiente das pessoas, tirando delas a parte robótica dos processos. Sabia somente que teria que vender, vender e vender, pois no final do mês as contas vencem! Os ingredientes básicos para levar o negócio adiante estavam lá. T!esão por fazer sistemas e a venda para perpetuar o negócio. Foi assim que consegui sustentar a empresa durante cinco anos. Vendia o almoço para pagar o jantar e às vezes ficava de jejum.
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Em 2005, passei por dificuldades, perdendo a maioria dos programadores para o mercado, agravando minhas fraquezas, meu raso conhecimento administrativo e a falta de planejamento, imprescindíveis em tempos de crise. Quebrei! Estes momentos são grandes oportunidades de renovação, inovação e de crescimento pessoal e profissional.
Desta crise, tirei duas importantes lições para empreender: achar pessoas que te complementam no negócio e que compartilham os mesmos valores de vida. Com o Bernardo Lustosa, meu atual sócio e um genial estatístico e gestor, consegui fazer a primeira grande virada e entrar no azul. Mauro Back, diretor de TI e da UAH da ClearSale, foi outro importante parceiro. Juntos, construímos uma plataforma tecnológica robusta para sustentar o grande crescimento dos últimos dois anos. Geralmente, escolhemos o sócio pela amizade e com competências parecidas e acabamos perdendo o amigo e o negócio quando não aparecem os resultados. Para uma sociedade dar certo, é muito efetivo achar alguém que você confie como pessoa e com qualidades diferentes das tuas.
Confiança é um valor de vida fundamental para qualquer relacionamento societário e de negócio. A confiança se constrói por meio da transparência das ações no dia a dia, fazendo o certo  e com objetivos alinhados. Um dia, eu e o Bernardo sentamos e, juntos, decidimos o que queríamos para as nossas vidas – uma empresa onde a gente poderia crescer um com o outro, norteados pelos valores da ética, comprometimento e excelência. Este era e é nosso “core business” pessoal e que transpondo para o lado do negócio, nos fez também ter um grande e sustentável crescimento econômico ao ganhar a confiança de nossos clientes.
Empreender é ter e seguir valores fortes e robustos para unir e inspirar pessoas e assim construir soluções que façam a transformação para um mundo mais justo e melhor.
 

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