Do que aprendemos nos livros de ontem

Daniel Fernandes

21 de janeiro de 2016 | 06h16


Como estão os custos de sua empresa? Bem cuidados? Certeza?
Uma vez li a frase que diz ‘os custos não são feitos para ser calculados, eles existem para ser reduzidos’… e sempre levamos este assunto bem a sério na gestão do Pastifício PRIMO.
Acredito que não importa se o seu negócio é serviço ou produto. Em épocas de crise – como a atual – toda ideia que ajude na redução de custos merece uma atenção redobrada, e este tem sido meu principal foco de trabalho e estudo nestes últimos meses.
Como acontece algumas vezes, as respostas que procuramos chegam de forma inusitada. E desta vez foi revirando a minha biblioteca, separando alguns livros “para doar”. O acaso me fez olhar melhor o Just-in-Time – um livro chato sobre processos industriais dos anos 90 – e algumas frases soltas ali me provocaram um estalo! Para resumir: uma coisa leva a outra, e um momento depois estava pesquisando na internet o Sistema Toyota de Produção, encantado.
Mesmo não sendo nenhuma novidade, quero compartilhar com você um pouco do que tenho lido sobre o assunto e, principalmente, como adaptar este conhecimento para nossos pequenos negócios.
O começo
Todos conhecemos a inovação de Henry Ford e a linha de montagem do modelo T, criada em 1908. Mas nos anos 1950 aconteceu algo muito interessante no mundo automotivo. Um grupo de engenheiros da Toyota, depois de estudar o sistema Ford, o aprimoraram, definindo novos patamares, organizando a extrema complexidade das novas demandas de mercado e o avanço tecnológico.
Assim surgiu o Sistema Toyota de Produção, cheio de sabedoria oriental, zen, quase poética, e que já foi modinha no século passado, mas ainda tem muito a nos ensinar. Acho que eu nunca tinha observado com tanta paixão como agora os conceitos – que estão inseridos em três termos japoneses que são o alicerce de todo o sistema – do modelo 3M: Muri, Mura e Muda.

Muri (sobrecarga)
Se refere à sobrecarga de pessoas ou equipes que, apesar de parecer mais econômico trabalhar com menos pessoas, termina por ser ineficiente. Isso significa que as pessoas estão trabalhando extenuadas, o que pode resultar em produtos defeituosos, falta de produtividade, esgotamento físico e mental, lesões por esforços repetitivo, ou até mesmo acidentes.
Mura (desequilíbrio)
Quer dizer uma força de trabalho desbalanceada no fluxo do produto ou serviço, provocando gargalos. No nosso dia-a-dia já passamos por isso várias vezes: trabalhamos feito doidos num dia, pagando hora extra, para entregar um pedido, e no outro dia havia nada para fazer.
Muda (desperdício)
Esta é a parte que achei mais bacana, e de amplo entendimento. A definição de desperdício é simples: tudo o que soma ao custo da empresa e que não é valorizado pelo cliente!
Os japoneses definiram 7 Mudas:
– superprodução – fabricar mais do que necessário gasta energia, consome o caixa e causa superestoque
– estoque – manter estoque parado é um custo, seja de espaço como de capital, e precisa ser cuidado, precisa de pessoas para que não estrague ou se desvalorize
– movimento – estações de trabalho mal distribuídas diminuem a produtividade, o funcionário tem que parar a todo momento para buscar matéria prima, ou pegar uma ferramenta
– espera – uma máquina parada por falta de matéria prima resulta em um gargalo, atrasando um cronograma e prejudicando toda a cadeia produtiva
– transporte – tempo e dinheiro movendo produtos de um lugar a outro, quando na verdade o produto precisa chegar no ponto de venda!
– superprocessamento – fazer produtos complexos sem receita extra, que o cliente não percebe valor, é um total desperdício
– defeitos – produtos abaixo do padrão provoca devoluções, perda de clientes e desprestigio, portanto devemos focar em fazer o melhor produto
Aposto que você, lendo os 7 Mudas, já está tendo ideias para hoje mesmo começar a trabalhar melhor.
E mudar! Nas crises é onde costumam aparecer novas formas de ser mais eficiente, mais produtivo, mais enxuto.
E se você, por acaso, ainda não começou a cortar custos, eu recomendo urgente pegar a tesoura!
Sem mimimi, sem enrolação, sem ficar esperando um milagre acontecer (que esses estão muito escassos).
Bora arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa.
Ivan Primo Bornes – fundador e mestre masseiro do Pastificio Primo, passa os dias com a mão na massa e os olhos nos custos

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