Dia dos Namorados deve inspirar a relação franqueador-franqueados

Dia dos Namorados deve inspirar a relação franqueador-franqueados

Há decisões acertadas ao se escolher uma franquia em que investir, outras nem tanto, mas o franchising é como casamento e cada um deve ter seu papel na relação entre franqueadores e franqueados

Ana Vecchi

10 de junho de 2021 | 19h14

Esta é uma semana de aumento de vendas no varejo, de forma geral, independentemente dos canais de vendas: lojas, phygital/fisital, e-commerce, marketplace, delivery, outros. Há setores que ganham mais, mas inovação em presentes pode ter uma sacada legal como o curso que você quer fazer, mas ainda precisa poupar e ganha de presente. Quem dá um curso para namorad@? Hoje pode fazer toda a diferença em relação a um produto usualmente gostoso e tradicional de se ganhar nesta data, o Dia dos Namorados. Uma reflexão, apenas.

Mas quero aqui provocar outra reflexão. Penso na relação entre as empresas franqueadoras e suas redes franqueadas em que todos, no início, buscam um envolvimento duradouro, harmonioso, com expectativas alinhadas, os mesmos valores e propósitos, relação ganha-ganha e sonhos realizados em cima de bases sólidas. 

Não é assim que a gente começa um namoro? Ninguém começa esperando que dê errado e que tenham escolhido a pior das pessoas para namorar. E ao longo do tempo nos pegamos surpresos, para o bem ou para o mal. Se a relação melhora a cada dia, uau! Se piora, “como assim?”. Passados os meses, vamos entendendo com que a gente se meteu. Ou não, às vezes demora anos. De novo para o bem ou mal.

São mais de 30 anos vivendo o sistema de franchising, nos bastidores desses relacionamentos comerciais. Contratada para criar um negócio, uma franqueadora, uma rede, estruturar, eliminar conflitos, fazer convenções, puxar orelhas e parabenizar. Assisto, da coxia, as orquestras formadas por músicos (franqueadoras e franqueados) que tocam as notas musicais (procedimentos) de uma música (marca) que compus no franchising (processos, manuais, treinamentos).

Batons de O Boticário, marca de franquia que gera orgulho em quem pertence a ela. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

E lógico que há as escolhas acertadas. As mais ou menos que vão se ajustando e aquelas que só uma das partes não quis enxergar o que estava tão claro às outras pessoas. Há escolhas por interesse e “depois vemos o que fazemos”, por amadorismo, por carência (suprir uma necessidade), por não saber o que fazer com o dinheiro guardado e um futuro incerto ou vazio (luto, divórcio), porque precisa de mais uma taxa de franquia na conta. Há um sem-fim de motivos, assim como quando escolhemos namorad@s.

Queremos partir para o casamento, como a aposta certa de um futuro, no mínimo, muito legal. Simples assim. E lá vem o contrato – de franquia ou de núpcias. Ninguém quer o divórcio depois.

Então, em muitos aspectos, a união estável é o sonho de consumo. Não falo de contrato. A pegada é que seja uma união estável, sem conflitos, desconfianças, promessas não cumpridas, “você falou que … e não faz assim”, “você não entendeu o que eu disse…”. A união estável porque cada um cumpre seu papel, o combinado e busca o melhor a todos os envolvidos.

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Franqueadores têm o papel de compartilhar e transferir conhecimento. Isso é eficaz desde que haja know how na gestão e operação do negócio, proximidade à rede, comunicação integrada e transparente, identidade visual atraente ao público-alvo e as ferramentas necessárias para fazer a gestão da rede, profissionalmente. 

A rede franqueada deve dar tudo de si para aprender, executar e aprimorar, diariamente, tudo que diz respeito ao negócio e seus clientes. Seus filhos são os colaboradores e seus clientes. Frutos de uma relação estável com a equipe da franqueadora, que vai amadurecendo e gerando bons frutos. Na relação de amor é assim também. Desde a década de 80 falamos que franquia é como um casamento.

Tudo que deu mais certo e sustentou as franquias e suas marcas, principalmente nestes últimos dois anos, assim como em todas as crises que já vivenciamos no Brasil, foi acreditar nos negócios e nos franqueadores tendo por base o relacionamento entre as partes. Estiveram todos no mesmo barco (anos 1980), no mesmo lado de uma mesa (anos 1990), ligados na mesma plataforma que compartilha uma sala de reunião online e se veem através de telas (2000).

Há 15 meses, enquanto redes, todos vêm se cuidando, se protegendo, alguns PDVs mais fragilizados tomando atitudes de emergência, outros hospitalizados e sobrevivendo. E há os que vem nadando de braçada, mercadologicamente falando! Unidos pela corrente que é uma marca, em que as pessoas são os elos dessa corrente. Em um franchising que estabeleceu uma união estável e longeva.

Certa vez, em um projeto n’O Boticário, ouvi de vários franqueados que não existiria marca melhor para representar e vivenciar. Que cada vez que alguém pergunta qual a marca da franquia que eles atuam, ao dizerem O Boticário imediatamente vem um sorriso no rosto de quem ouve a resposta, um olhar de surpresa boa e eles sentirem orgulho de pertencer a esta rede.

Feliz dia, namorad@s! Feliz vendas, franquead@s! Feliz!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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