10 filmes para os grandes empreendedores de ontem e os do amanhã

Daniel Fernandes

11 de setembro de 2017 | 08h42

Bons filmes divertem. Ótimos filmes inspiram. Grandes filmes nos fazem agir. De tempos em tempos, assisto Sociedade dos Poetas Mortos. A cena em que o professor pede para que seus alunos subam em suas mesas para enxergar o mundo com outra perspectiva é o que me motivou a trabalhar com inovação e empreendedorismo.
A vantagem agora é que boa parte destes grandes filmes estão disponíveis em formato streaming e escolhi alguns que estão disponíveis neste momento no Netflix. Curiosamente, o próprio Reed Hastings só decidiu fundar a própria empresa depois de ter assistido ao filme Apollo 13 em 1996. Mesmo com a excelente atuação de Tom Hanks, não foi o filme em si que o motivou, mas o que aconteceu quando esqueceu de devolver a fita VHS para a locadora e pagou uma multa de 40 dólares. Aquilo o incomodou tanto que fundou a Netflix.
Entretanto, muitos grandes empreendedores só começaram a agir, de fato, depois de terem assistido a um grande filme. Talvez o que tenha impactado o maior número deles foi Star Wars. Ser um rebelde que enfrentar o lado negro da força que tentava dominar o mundo fez com que vários jovens Jedis na vida real agissem criando negócios com a mesma finalidade. O mais rebelde deles tinha apenas 22 anos em 1977 quando ficou imobilizado por um tempo no cinema enquanto os créditos eram mostrados sob a música de John Williams explodindo nos autofalantes. Steve Jobs ainda voltaria ao cinema mais duas vezes naquela semana de estreia. A saga em lidar com o lado negro da força seria utilizada por ele muitas vezes depois, inclusive contra a IBM e Microsoft. Atualmente, muitos empreendedores, novamente, se sentem Jedis quando lutam com o lado negro da força das grandes organizações que querem tornar obsoletas.
Além de Guerra nas Estrelas, há várias outras opções no Netflix que podem contribuir para que aja agora, empreendendo suas ideias. Dois filmes “escondidos” e quase caseiros que lidam com jovens que se superam para atingir seus objetivos são Sushi a La Mexicana e Spare Parts. No filme do sushi, Juana, é uma mexicana que sonha em ser sushiwoman em um restaurante japonês. Apesar do enredo ser previsível, lida com o preconceito de nacionalidade e gênero. Mas também se destacam os papéis da dedicação, maestria e resiliência. Em Spare Parts, um grupo de quatro estudantes mexicanos que vivem nos Estados Unidos participam de uma competição de robótica contra as grandes universidades norte-americanas. Novamente, a estória é previsível. Mas será que ela é real? Ambos os filmes são ótimos para aqueles que já têm um “não” para começar.
Na mesma linha da superação, mas a partir de um personagem já consagrado, o filme Walt antes do Mickey conta o começo (pouco conhecido) de Walt Disney em que passou muitas dificuldades, tendo que buscar comida em latas de lixo para sobreviver. Mais que a genialidade de Walt, o filme destaca a importância de Roy Disney, seu irmão, como sócio, parceiro e alguém que dava (um pouco) de estabilidade ao imprevisível criador do Mickey Mouse.
Outro filme que pode incomodar muitos que dizem que querem empreender, mas não agem é Amor sem Escalas, onde George Clooney descobre que tem perdido boa parte dos momentos mais valiosos da sua vida tralhando muito, fazendo algo que é vazio, que não se orgulha e que ainda pode ser substituído por uma nova tecnologia. O filme é um soco ou uma injeção de vida para zumbis corporativos.

E para quem já lidera um negócio próprio, dois outros filmes disponíveis no Netflix baseados em histórias reais são importantes para refletir diversos aspectos do seu negócio. Em Decisões Extremas, um pai, na tentativa de salvar seus dois filhos de uma doença rara, decide empreender em sociedade com um pesquisador que acredita ter uma solução para interromper a evolução da enfermidade. Todos os aspectos na criação de uma startup de alto potencial de crescimento são tratados no filme. E Fome de Poder conta a trajetória de Ray Krock, empreendedor do McDonald´s e sua relação com os fundadores da empresa, Rick e Mac McDonald. Inovação, visão de futuro, modelo de negócio, processo e ética são alguns temas farão empreendedores repensar seus negócios e, principalmente, sócios.
Enquanto muitos filmes motivam a começar, um em especial, incentiva o empreendedor a finalizar seu ciclo. Foi depois de ter visto Tempo de Partir, filme em que dois idosos (Jack Nicholson e Morgan Freeman) em estágio terminal decidem fazer uma lista de coisas que gostariam de fazer antes de morrerem, que o sempre recluso Phil Knight, fundador da Nike, decidiu escrever (por conta própria) sua biografia em que confessa, por exemplo, ter roubado documentos de um parceiro comercial e o remorso pela culpa em não ter participado mais da vida do seu filho que supostamente se suicidou. Tanto o filme como o livro, nos faz pensar profundamente sobre o que é viver na perspectiva de quem sabe (ou acha) que logo irá partir. Quem assistiu ao filme sabe o que é beijar a mulher mais bonita do mundo, um dos itens da lista.
Por isso, mais do que assistir a um filme que inspire ou incentive a ação, é preciso fazer de nossas vidas algo extraordinário. Carpe diem. E que a Força esteja com você!
Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Tudo o que sabemos sobre:

Blog do Empreendedor

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: