Dez dicas para ter uma mão-de-obra eficiente no foodservice

Dez dicas para ter uma mão-de-obra eficiente no foodservice

Consultora do Sebrae ensina como se relacionar de forma saudável com os funcionários e conseguir retê-los no setor de alimentação

Redação

03 de setembro de 2019 | 14h44

Por Karyna Muniz, consultora do Sebrae-SP

O segmento do foodservice, também denominado “alimentação fora do lar”, emprega mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, inspira e fomenta o empreendedorismo há muitos anos e vem sobrevivendo ao cenário mais pessimista de crise econômica desde 2015, apresentando crescimento perto da casa dos 7% em 2017, segundo o IFB – Instituto Foodservice Brasil. No entanto, empreender nesse segmento não é fácil.

Um dos indicadores que mais pesa no bolso do empresário é a alta rotatividade da mão-de-obra. Esse problema desencadeia um acúmulo expressivo de desafios nas gestões operacional e financeira, além de gerar conflitos e possíveis ações trabalhistas. Não é incomum ouvir os empresários reclamarem que a mão-de-obra é “descomprometida”, “não sabe lidar com pressão”, é “ociosa”, entre outros.

Para o Sebrae-SP, relacionar-se de forma saudável com a mão-de-obra e conseguir retê-la é um dos caminhos para o sucesso de quem empreende nesse segmento. Assim, apresentamos a você que empreende ou deseja empreender no foodservice 10 dicas para ter uma mão-de-obra eficiente.

Foto: Imagem de Free-Photos por Pixabay

1. Estimule a busca pelo conhecimento

Que tal promover mais conhecimento para os seus funcionários? Muitas iniciativas podem ser tomadas por você que empreende no segmento de alimentação fora do lar. Uma boa dica para estimular o conhecimento é prever um período durante a semana para tal fim. Pode ser um treinamento ou uma capacitação, uma atividade cultural, um filme sobre gastronomia, a prática de jogos estratégicos, leituras sobre gestão de bares e restaurantes, visitas a portais de gastronomia, sites da concorrência e convites aos fornecedores para que exponham sobre os seus produtos e expliquem suas origens.

2. Invista em treinamentos

Faça um levantamento das necessidades de melhorias na gestão do seu negócio, identifique onde estão os pontos críticos para poder levantar os recursos necessários – eles podem ser financeiros ou não. Planeje a aplicação do treinamento partindo dessas necessidades e lembre-se que um treinamento deve ser feito em períodos de menor movimento e não deve comprometer a rotina de trabalho. Dias como segunda-feira, sexta-feira e finais de semana não são bons para aplicar treinamentos. Busque programar todos os momentos do treinamento e promova um ambiente saudável, sem esquecer de aplicar uma atividade de feedback ou uma avaliação formal (escrita) no final. 

3. Invista em capacitação

Capacitação é diferente de treinamento! Quando treinamos, não temos a certeza que o processo de aprendizagem foi eficaz. Para isso, é preciso estabelecer um processo de repetição do aprendizado até que o indivíduo tenha a competência consciente de sua capacidade para realizar uma atividade. Durante esse processo, é preciso orientar, monitorar e dar feedbacks da evolução do aprendizado. Aprender no “olhômetro” não é uma boa alternativa para a manutenção da qualidade do seu produto e do seu serviço.

4. Busque melhorar a comunicação com o cliente

Esta é uma dica que está totalmente relacionada aos treinamentos e às capacitações. Não é incomum em negócios de alimentação fora do lar ocorrerem erros de pronúncia e de escrita durante o atendimento aos clientes, sem contar a dificuldade com algumas palavras em outros idiomas. Por que não aperfeiçoar as comunicações no seu negócio? Por que não buscar um atendimento mais profissionalizado? O conhecimento nos dias de hoje está muito mais acessível. Se não existir verba para investir em cursos e capacitações, seja criativo e busque melhorar o repertório dos seus funcionários como citamos na dica nº 1. Pense nisso! Pouca TV, mais leitura e cultura nos intervalos!

5. Garanta os direitos da mão-de-obra

Por trás de todos os processos do seu negócio existem pessoas como você, que precisam honrar os seus compromissos. Os direitos dos funcionários precisam ser garantidos desde o momento da contratação até o desligamento, portanto mantenha em dia as obrigações do contrato de trabalho. Garanta a aplicabilidade da saúde e medicina do trabalho, não extrapole a jornada de trabalho solicitando excessivas horas extras, realize os pagamentos em dia, trate os seus funcionários com respeito, promova diálogos e não discussões, não os assedie e nem permita um ambiente em que o assédio possa brotar e se desenvolver. Lembre-se: a “era do grito” em restaurantes é coisa do passado e gera muitas, mas muitas desavenças. Cuidado!

6. Faça com que os funcionários conheçam seus deveres

Assim como você, que tem que garantir os direitos dos funcionários, eles também precisam saber dos seus deveres! E esses também estão relacionados aos direitos do empregador no contrato de trabalho. Os funcionários precisam de regramentos! Precisam saber que o não cumprimento das regras implica em consequências que podem não ser desejáveis tanto para eles, quanto para o empregador e para o negócio. A elaboração de um regulamento interno é sempre uma ótima opção, e ele pode ser discutido e construído, em parte, conjuntamente.

7. Preocupe-se com a saúde física dos seus funcionários

Comprar alimentos e bebidas de qualidade inferior e mais baratos para os seus funcionários é um grande erro! Isso implica em refeições por vezes nada atraentes e no geral ‘pesadas’ para a rotina de trabalho. Práticas como essas desencadeiam uma série de problemas, sem falar que uma alimentação desregrada e desequilibrada pode agravar o risco de algumas doenças tais como: obesidade, diabetes, hipertensão, gastroenterites, alergias, entre outras. Além das possíveis doenças, a produtividade pode ficar baixa e o consumo de produtos destinados às vendas pode virar hábito de alguns funcionários. Pense nisso!

8. Garanta um ambiente saudável

O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) é obrigatório e busca garantir a qualidade do ambiente. Riscos ergonômicos e de insalubridade são dois exemplos tratados nesse documento. Mas não é apenas sobre ele que queremos falar. Um ambiente saudável está totalmente relacionado à qualidade das relações humanas que ocorrem durante as jornadas. Muito além das instalações físicas, existem aspectos relacionados ao relacionamento interpessoal das equipes, ao convívio das lideranças com os subordinados e, também, ao modo de tratamento com o cliente. Não permita que fofocas e conflitos brotem! Situações e ocorrências mal resolvidas tendem a descarregar em algo ou em alguém! No fim disso tudo, é o seu cliente que perceberá que algo está errado!

9. Integre as equipes

Busque, durante as reuniões de equipes de atendimento e produção, elencar primeiro os acertos e não os erros. Não aponte problemas para apenas uma das equipes ou uma pessoa específica! Analise mais a fundo os problemas e procure dividir a responsabilidade com todos. Seja verdadeiro e generoso com seus funcionários quando os resultados caminham bem. São atitudes suas que farão com que eles reflitam sobre os acertos e os erros como um todo e não como parte, e isso é um primeiro passo para se ter equipes unidas e com atitude empreendedora.

10. Incentive atitudes empreendedoras

Sabe aquele funcionário que trabalha com prazer? Que gosta de tudo certinho? Que é feliz em sua rotina de trabalho? Que tem zelo pelos seus instrumentos e espaço? Que se relaciona bem com todos? E que justamente por isso até dá bronca nos outros quando há algo de errado? Pois bem! Mire nele! Observe e veja se ele se interessa pelos aspectos da gestão, se tem vontade de adquirir mais conhecimento e se deseja aprender algo novo. Funcionários que zelam pelo seu negócio são pérolas! Eles se sentem parte do todo, do sucesso e do fracasso! São possíveis companheiros por longos anos, portanto merecem investimento e atenção especial.

Tendências: