Dez características de quem vai ter dificuldade para empreender

Daniel Fernandes

02 de dezembro de 2015 | 07h02

Comemorando o décimo post no blog, achei interessante falar sobre o tema ‘baixa auto estima’ porque tenho visto que existe um elevado numero de pessoas que não acreditam em si. Eu acho que posso ajudar.  Você já dirigiu um carro com o freio de mão puxado? Tem muita gente que leva a vida inteira dessa forma, com uma imagem negativa de si mesmo. Uma minoria, ao contrario, tem elevado amor próprio – são pessoas que gostam e acreditam em si mesmas. Para você empreender, além de precisar ter muita ATITUDE, RESILIÊNCIA E CONHECIMENTO, acredito que o mais importante é VOCÊ ACREDITAR EM VOCÊ.  Montei uma planilha comparando características de pessoas com baixa auto estima e características necessárias para empreender:

Características de quem tem pouca auto estima
-> Indecisos, dificuldade de tomar decisões
-> Pensam que não podem, que não sabem nada
-> Não valorizam seus talentos
-> Tem medo do novo e evitam riscos
-> São muito passivos, evitam tomar iniciativa
-> São isolados e quase não tem amigos
-> Temem falar com outras pessoas
-> Dá-se por vencido antes de realizar qualquer atividade
-> Não está satisfeito com ele próprio
-> São pessimistas
Características necessárias para empreender
-> Totalmente decidido, precisa tomar decisão o tempo inteiro
-> Pensam que são capazes, que sabem tudo
-> Valorizam seus talentos e se acham muito capazes
-> Tudo é novo e vai ter de correr muitos riscos
-> Pura iniciativa: às vezes, dá errado, mas levantam e tentam novamente
-> Networking: conexões são fundamentais para empreender
-> Vai ter que falar muito, vai ter que vender sonhos
-> Se acham Superman e acha que vai ganhar antes mesmo de jogar
-> Se acham ‘Superman again’ e acham que sabe tudo
-> Imagina que tudo vai dar certo
Em uma palestra que assisti do Doutor Lair Ribeiro há 20 anos, ele comentou que foi feito um estudo estatístico em uma criança desde que nasce até os 10 anos de idade e ela escuta aproximadamente 100 mil  NÃOS:  não faça isso, não faça aquilo. Essas atitudes atrapalham o desenvolvimento do lado criativo da criança. Na minha casa, meu pai falava muito pouco, deve ter falado uns 10 mil ‘nãos’; minha mãe falava um pouco mais, deve ter falado 65 mil vezes essa palavra. Eu acho que isso me ajudou a desenvolver o lado criativo – sou designer  e estilista há 17 anos, o meu cérebro funciona super bem quando se fala “agora será impossível”, parece que acende uma luz que me leva a buscar uma solução criativa. É muito engraçado, mas é assim !!!
Para você empreender, abrir o seu próprio negocio, você terá que se conhecer muito bem e entender qual o seu momento de vida. Se você tiver pouca auto estima, sugiro repensar sobre o negocio – você irá tomar muita porrada e terá que estar pronto para apanhar e aprender. Se começar “acho que vai dar errado”, por favor, não abra o seu negocio neste momento. Não sou psicólogo, mas a sua autoestima pode ser melhorada desde que acredite mais em você. Durante anos li e estudei  neurolinguística e aprendi que existe uma forma de você mudar seus pensamentos sobre os problemas que possam ter ocorrido em sua vida – imagine seu cérebro sendo um aquário cheio de bolinhas, as amarelas são as coisas boas que aconteceram  e as bolinhas vermelhas são coisas negativas. Em vez de você ficar tirando bolinha vermelha por bolinha vermelha, o que pode demorar anos para dar certo, você pode colocar um monte de bolinhas amarelas no aquário. O resultado será um só: as bolinhas vermelhas sairão automaticamente, irão embora também algumas amarelas, é lógico.
O maior poder que Deus nos deu foi o PODER DE ESCOLHA. Nós temos o livre arbítrio de decidirmos para onde queremos ir e como iremos. Esta em nossas mãos e isso é perfeito. Todas as pessoas tem exatamente 24 horas por dia, independentemente da classe social. O que você esta fazendo com as suas 24 horas ? Isso fará uma grande diferença.  Voltando a autoestima, por que são tão poucas as pessoas que confiam e acreditam em si mesmos? Seu amor próprio começou a ser desenvolvido nos primeiros anos de sua vida, recebendo mensagens dos pais positivas como “Amo você”, “Voce é ótimo”, “Estou feliz por fazer parte de nossa família”. Eu recebi isso em casa quando pequeno e faço isso constantemente com o meu filho, sempre o elogio. Eu falo coisas do tipo: “você está de parabéns meu filho” enquanto outras pessoas receberam mensagens não tão positivas como “não arraste os pés para andar, seu palerma”, “por que esta fazendo uma bobagem dessas”, o que com certeza criaram um baixo nível de confiança desde a infância, conforme confirmado por James Newman no livro Universidade do Sucesso de Og Mandino.
Exemplificando com o meu caso novamente, além dos ‘nãos’ a menos que escutei na minha infância, quando sai da faculdade fui apresentado a um projeto chamado ProNet, Professional Network. Era uma rede de marketing que ajudava a vender os produtos da Amway. Pirâmide pura, indiscutível. Mas foi nesse projeto, em que inclusive não ganhei dinheiro algum, ao contrario, gastei muito, mas foi ali que conheci neurolinguística. Foi a primeira vez que alguém fora os meus pais me disseram que “eu teria que acreditar em mim, teria que fazer o meu melhor, todos os dias, e se fizesse isso eu aumentaria muito as chances de dar certo na vida e consequentemente ter sucesso”. Li vários livros, “Universidade do Sucesso” de Og Mandino, “O Maior Vendedor do Mundo” também do Og Mandino, “O Sucesso não Ocorre por Acaso” de Lair Riberio, “O Poder sem Limites”, mais uns 50 livros, achei aquilo o máximo, descobri que eu poderia ter sucesso na vida se eu acreditasse em mim e fizesse o meu melhor.
Conversando com um amigo na semana passada, ele me perguntou qual a diferença entre o Sérgio de 20 anos atrás, quando resolveu empreender, e o Sérgio atual, abrindo a sua terceira empresa? Disse que a minha sensação agora é a mesma de 20 anos atrás, me sinto um “búfalo”, do tipo ‘sai da frente que eu estou vindo’; mas com uma diferença gigantesca: aquele búfalo estava sem rédea, hoje não, estou bem dirigido por mim mesmo, já cometi muitos erros, erros onde quase quebrei duas vezes, e lógico, também tive inúmeros acertos. Mas hoje conheço o caminho para onde e como tenho que ir, isso faz uma grande diferença. Com certeza devo cometer vários erros ainda pela frente, mas espero que sejam erros novos e que o meu’ know-how’ possa facilitar a resolução dos mesmos.

Quando tive a grife e o negocio começou a crescer, o que mais sentia falta era ter um MENTOR, alguém que pudesse me dar conselhos, ajudar a montar um planejamento mesmo que fosse para seis meses. A vida de empreendedor, quando não se tem alguém em quem confia para orientar, é muito dura – você terá que tomar decisão o dia inteiro. Pintou o problema? Ou você vai para a direita ou você vai para a esquerda. Às vezes toma a decisão certa, mas às vezes toma a decisão errada. E custa muito caro uma decisão errada.
Gostaria de agradecer a Endeavor e a todos os mentores que tive nesses últimos quatro anos. Fui orientado por grandes profissionais do mercado, em especial gostaria de agradecer aqui ao Sérgio Chaia, ex-CEO Symantec, Nextel e Sodexo, uma das pessoas mais brilhantes que conheci até hoje, estivemos juntos mês passado, um VISIONÄRIO.
Deixo a sugestão para você que é empreendedor: procure alguém do seu relacionamento, que tenha acesso, que sabe que o(a) cara, é bom(boa), peça se pode te ajudar uma hora por semana, por quinzena, dependendo do seu grau de envolvimento.
Avaliando hoje tudo isso teve um lado fantástico, sempre acreditei em mim e trabalhei MUITO, nunca tive preguiça para trabalhar, sábados, domingos, feriados, virar noite, não dá para viajar no feriado, tudo bem!  Não vou mentir que parecia mais fácil do que realmente é, mas valeu e está valendo a pena.
Vou jogar uma questão no ar, como está o nível de ensino das faculdades hoje no Brasil sobre como empreender o seu negócio ? Se formos pensar direito, tanto um advogado, como uma médica, uma dentista, uma psicóloga, profissões que têm a necessidade de abrir escritórios ou consultórios não aprenderam NADA em como administrar o seu negocio corretamente. Inúmeras vezes escutei de profissionais dessas áreas que eles tomaram um mega “balão“ de suas secretárias, administrativos, por não saberem praticamente nada de como administrar o seu negocio, ainda mais falando de médicos, que parecem viver em outro mundo, menos no mundo dos negócios.
Acredito que a maior parte dos cursos nas faculdades teriam que ter uma matéria que ensinasse como Administrar um negócio corretamente, as pessoas precisam ter pelo menos as noções básicas do que é uma empresa, como montar um fluxo de caixa, um orçamento para os próximos 3-6 meses, quem é o seu publico alvo, como fazer o marketing de uma micro empresa, como se faz a formação de custos.
Sobre o diário de bordo da Bertucci Fashion Uniforms, já fechamos o nosso primeiro negócio e estamos muito felizes, temos mais alguns negócios bem engatilhados, mas gostaria de deixar uma sugestão que é tomar muito cuidado com o crédito neste momento de crise: não adianta só vender, tem que vender e receber,  tem grandes empresas que não estão pagando, ou pagando quem interessa, isso pode quebrar uma empresa que esta abrindo, tem que ser frio e racional neste momento, é melhor não vender do que vender e não receber.
Agora o mais importante para nós é marcarmos reuniões e visitarmos Clientes, reuniões e visitarmos Clientes, e cuidarmos simultaneamente da produção, para que seja entregue o produto com a maior qualidade possível e principalmente surpreender o Cliente e entregar antes do prazo acordado. Outra experiência que vale compartilhar é ir para a rua carregando a mala com mostruário novamente, não é fácil, mas deixo aqui a sugestão para quem faz tempo que não faz isso, para que faça, pois o nível de informações e insights que conseguimos  conversando diretamente com os Clientes é absurdo e garanto que vale a pena.

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