Definir o preço como se joga na loteria só leva ao prejuízo

Daniel Fernandes

30 de janeiro de 2013 | 09h19

Jeff Belmonte/Creative Commons

Sempre me relacionei melhor com letras do que com números. Aprendi a desenhar meu nome aos 3, mas levei meia infância para aprender a tabuada. Minhas operações de matemática nunca batiam e meu boletim fechava todos os meses no vermelho.
Para fugir das ciências exatas (que nos meus cadernos sempre foram inexatas) decidi fazer jornalismo. A vida, no entanto, tinha uma outra equação pra mim. Depois de dez anos de redação, abri minha própria empresa, sem desconfiar que isso seria uma espécie de resgate kármico para eu finalmente me reconciliar com os números.
Minha primeira encomenda veio de surpresa, quando ainda estava na redação e foi ali, às pressas e sussurrando dígitos no telefone (para minha chefe não ouvir), que eu coloquei preço nos mil brigadeiros que eu teria que entregar na semana seguinte. Não tinha a menor ideia de quanto custava o doce. Praticamente intuí um número, como a gente faz quando joga na loteria.
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Essa mesma ‘conta de padaria’ foi a que usei quando abri a Maria Brigadeiro, para precificar toda a linha de produtos. Gostava tanto do que fazia que achava quase imoral receber dinheiro por isso. Qual foi a minha surpresa ao descobrir, alguns anos depois, que minhas receitas davam prejuízo.
Passei mais tempo do que eu gostaria longe das panelas, tentando achar um ‘ser’ versado em finanças que pudesse resolver a situação. As pessoas que eu entrevistava para a função ou eram qualificadas demais (com um salário que estava fora do orçamento da empresa) ou tinham experiência de menos para implementar as recomendações da consultoria que havia contratado.
Era uma conta que realmente não fechava, o que me dava calafrios de arrependimento por ter cabulado as aulas de kumon. Pedi ajuda para uma amiga da Endeavor, que veio com a solução do problema: uma consultoria administrativa terceirizada.
Pesquisei e descobri que existiam várias delas no mercado, bem debaixo do meu nariz! O serviço funciona assim: paga-se uma mensalidade (que geralmente cabe no orçamento de uma pequena empresa) e eles assessoram na administração do negócio.
Fazemos reuniões mensais, nas quais eles apresentam os balancetes financeiros, definem o ponto de equilíbrio, fazem recomendações de como ajustar despesas e receitas, identificam oportunidades de redução de custos, etc. Feito o dever de casa, não é que as contas (ao contrário do boletim) finalmente tendem a fechar no azul? Sim, e sem kumon.

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