De volta para o futuro

Daniel Fernandes

02 de janeiro de 2017 | 08h57

Impressiona a quantidade de micro tendências que estão voltando. São tantas, acontecendo simultaneamente, que procurei no google como este movimento poderia ser definido numa única expressão. Não encontrei nada, por isso vou usar a expressão inovação-retrô.
Não é o vintage e não é o antigo. Na inovação-retrô as pessoas resgatam hábitos, produtos e serviços do passado, porém bem adaptados aos novos tempos, ao novo momento tecnológico, ao novo usuário e consumidor. Eu sou do século passado, portanto já vi muita coisa desaparecer. Algumas delas achei que nunca veria de novo, mas aqui estão – e ainda bem – melhores do que antes.

Por exemplo: para quem é mais jovem, pode ser que seja novidade ir ao barbeiro. Mas, acreditem ou não, era uma profissão bastante comum no século passado e retrasado. O advento das máquinas de cortar cabelo e das lâminas de barbear descartáveis quase fez esta atividade desaparecer no final dos anos 90. Quase. Agora os novos barbeiros se aliaram a tatuadores, esteticistas e baristas, oferecendo drinks, rock, café, moto, bikes, comics e uma miríade de coisas bacanas para atrair novos – e antigos – clientes.
Outro exemplo: as pessoas estão fazendo a própria cerveja na cozinha do apartamento ou na garagem da casa dos pais. Mais exemplos: aprender a usar ferramentas, consertar a própria moto, construir um móvel, preparar o próprio alimento, fazer costura, etc.
Neste cenário, é difícil saber se primeiro apareceu o cliente ou o comerciante. Provavelmente os dois ao mesmo tempo. Ou seja, o consumidor, não encontrando quem atendesse a esta demanda, abriu o próprio negócio – foi exatamente assim que nasceu a ideia do Pastifício Primo.
Na mesma lista de negócios inovadores-retrô posso colocar os novos açougues, os não-restaurantes do Mercado Municipal de Pinheiros, as lojas de reparo de bicicletas. Nos brinquedos, adoro o cubo mágico, o Lego, o Genius e os brinquedos de madeira. Na gastronomia, o artesanal, a comida orgânica e direto do produtor. Na moda, os tênis All Star e a Doc Marten’s. Na decoração, voltaram os ladrilhos hidráulicos e os móveis no estilo dos anos 60. Sobre rodas, a Harley e a Vespa. E tenho certeza de que você já está acrescentando itens nesta lista.
Por trás dessa tendência, acredito estar uma combinação de nostalgia com um inevitável reconhecimento da qualidade destes produtos/serviços – temporariamente massacrada pela tecnologia e as novas modas que, por alguns anos, decretaram o seu sumiço. É como se tivéssemos que voltar ao passado para redescobrir nosso futuro.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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