'Custo Facebook' leva quase 14 dias de trabalho do funcionário em 11 meses

Daniel Fernandes

24 de maio de 2013 | 07h40

Marcelo fala sobre redes sociais

Uma questão que muitos empreendedores não sabem resolver: Quanto custa o Facebook para a sua empresa? Se ele(a) fizer uma continha rápida, pode ficar com mais dúvidas ainda. O colaborador chega ao escritório e antes de iniciar o trabalho vai consultar os as atualizações dos seus amigos do Facebook.
Entre uma olhadela e outra, lá se foram 30 minutos. Em um mês com 20 dias úteis, a empresa do Mark Zuckerberg ficou com 10 horas pagas ao seu colaborador. Em onze meses (considerando que tirou um mês de férias), ele(a) ficou 110 horas ou o equivalente a quase 14 dias úteis (8 horas/dia) conectado à rede social.
Se o sujeito volta do almoço (ou antes de sair do trabalho) e entra mais uma vez no Facebook (considerando mais 30 minutos diários), vai passar cerca de inacreditáveis 28 dias úteis dando likes, comments e shares. É injusto colocar a culpa só no “feice” dos colaboradores.
Ainda tem o Twitter, Pinterest, Youtube, Tumblr, Instagram, Foursquare, games. E se o uso de redes sociais na empresa descambou para o Bang With Friends, o empreendedor vai ter que pedir um tempo e chamar todos para “discutir a relação” com a sutileza do técnico Bernardinho.
Muitos empreendedores acreditam que tomando uma decisão drástica, impedindo o acesso, vai resolver a situação. E a impopularidade da medida? E os smartphone 3G dos seus colaboradores? E as brechas digitais “cavucadas” pelos mais espertinhos? Por estas e outras questões, o post do Pedro Chiamulera desta semana (A meritocracia não é papo furado) é tão relevante!
Já implementada entre as empresas mais bem administradas no Brasil, a meritocracia, pouco a pouco, vem fazendo parte do discurso de um número crescente de empreendedores e pode fazer parte da solução para reduzir o “Custo Facebook” na sua empresa.
Mas desenvolver um sistema meritocrático em uma empresa de menor porte implica em questões mais complexas ainda do que simplesmente avaliar quanto o Facebook custa para a sua empresa. Como dar o mérito justo para cada colaborador em uma organização onde boa parte das relações é informal e muitos estão desde o início, quando a empresa ainda era uma hipótese a ser demonstrada?
Quem definirá o que é mérito e o que é justo? Como premiar um colaborador sem que os seus colegas se sintam injustiçados? Como fazer com que colaboradores com metas diferentes colaborem em projetos que não serão considerados nas avaliações individuais?
Se você não tiver respostas agora, o jeito é acompanhar os próximos posts do Pedro para aprendermos um pouco mais sobre meritocracia. Mas outras empresas enxergam as redes sociais de outra forma. É um momento para o colaborador se descontrair um pouco, entrar em contato com outras informações e levantar informações para gerar novas ideias.
É o caso das empresas que não pegam no pé do colaborador e até dão um tempo livre para inovarem projetos a partir de interesses pessoais. É disso que tratou o post do Renato Steinberg nesta semana ao questionar se a sua empresa dá um tempo livre para os seus colaboradores, como já se tornou uma lenda urbana para os engenheiros do Google e 3M.
A dúvida de muitos empreendedores se inicia já na questão mais básica: por que liberar 10, 15 ou 20% do tempo do celetista para que este faça o que bem entender? Até que ponto isto é um investimento que se paga? Como calcular isto? E se alguns entregarem resultados interessantes para a empresa e outros não? E se o colaborador utilizar os 20% livres e depois fizer ‘hora extra’?  Novamente, mais dilemas para o empreendedor…
Mas o maior dilema da semana foi proposto pela Juliana Motter no seu post Quero ser grande? Crescer ou não crescer um negócio que faz muito sucesso, como é o caso da sua Maria Brigadeiro? Aqui, a resposta é mais fácil do que falar do Custo Facebook ou dos 20% de tempo livre. Tudo vale a pena quando a empresa não é pequena…

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