Cultura sem intermédios

Daniel Fernandes

21 de outubro de 2015 | 06h36


Hoje vou falar sobre uma empresa americana que cria seu produto e o vende diretamente para os consumidores, sem depender de intermediários. Em um mercado onde é comum as empresas terem processos longos, com etapas que envolvem várias pessoas, fornecedores e prestadores de serviços, a Warby Parker foi na contramão e desenhou uma estratégia nova.
Fundada em 2010 com a intenção de ser uma alternativa aos altos preços dos óculos, a Warby Parker tem o foco de vender óculos de grau e de sol pela internet. Porém, o que os diferencia das demais marcas é que os produtos são criados e vendidos por eles. Dessa forma, não há intermediários entre a criação e a venda do produto e, com isso, o preço dos óculos ficam mais acessíveis.

Mas este não é o único diferencial da empresa e talvez nem o mais interessante. O que mais me chama a atenção é a maneira como foi desenhada a cultura da organização. Para eles, cultura precisa ser criada. Não é somente natural, e sim algo que demanda planejamento. Por isso, na empresa existe uma equipe que faz parte do “Time cultura”: são pessoas que trabalham pensando na cultura da Warby Parker, planejando ações diferenciadas para os colaboradores e até mesmo participando dos processos de recrutamento.
Outro departamento curioso é o “Comitê da diversão”. Veja que interessante: a cada trimestre um grupo de funcionários é escolhido para formar este comitê e planejar ações de entretenimento para os demais colaboradores, seja uma festa open bar ou uma aula de dança. Ou seja, a cada três meses a empresa oferece um momento de diversão para seus funcionários que é sempre uma surpresa. Eles esperam por aquilo no final do trimestre, e sempre vem algo diferente. O mais legal disso é que essas atividades são escolhidas pelos próprios funcionários. E a cada três meses esse comitê e formado por novas pessoas, que desenham novas atividades de lazer e interação.
Tiro duas grandes lições deste case que podem ser aplicadas nas nossas próprias empresas. A primeira é que podemos ir na contramão do que o mercado diz ser o “certo”. Para muitas coisas não existe o certo e o errado e a inovação só acontece quando fazemos algo diferente. E a segunda lição é a importância de criar a sua cultura com consciência, de analisar qual é a cultura que você quer para a sua empresa. A cultura de uma organização é o seu DNA e ela precisa ser deliberadamente criada e planejada com cuidado e atenção.
* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME.

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