Cuidado! Você pode ter a síndrome do funcionário que 'cumpre tabela' e não saber

Daniel Fernandes

25 de março de 2015 | 07h11

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Ultimamente tenho buscado aprender mais sobre o comportamento humano para tentar desvendar e decodificar fatores, padrões comportamentais e como as pessoas encaram a questão da carreira e do emprego. Afinal, todo mundo precisa produzir algo para receber algo em troca e sobreviver.
Sempre imagino como seria minha vida se eu fosse um funcionário padrão e simplesmente cumprisse “tabela”. Isso mesmo, cumprir tabela. Quando digo cumprir tabela significa aquela atitude programática, motivada pelo cumprir ao que veio. O sujeito, para cumprir tabela, não precisa necessariamente chegar e ir embora pontualmente no horário acordado.
Horário é um dos componentes de uma complexa rede que constitui “cumprir tabela”. Produzir o que foi estabelecido no contrato é um desses componentes. Nem um parafuso apertado a mais, nem a menos. Significa também produzir mediante as condições pré-estabelecidas em contrato, não havendo nenhuma escapada do roteiro cotidiano da linha de produção.
O sujeito, nesse caso, acaba se tornando uma espécie de autômato, envolvido por dois fios narrativos de vida: a narrativa da vida particular e a narrativa da pseudo-vida robotizada do trabalho. Nesse modelo, o sujeito gradativamente acomoda-se e, sem perceber, contamina sua própria vida particular com os preceitos do “cumprir tabela”. Surpreendentemente, ele se vê apertando os mesmos botões da TV, assistindo aos mesmos programas, nos mesmos horários, tomando a mesma insossa cerveja, esparramado no decrépito sofá de sua casa, que, de tanto sofrer com o “cumprir tabela”, torna-se sujo e rasgado.
E o que ele faz? Mantém-se impávido igual uma árvore diante da decrepitude que o envolve e sufoca. O “cumprir tabela” é de uma letargia voraz, que te arrasta ao trabalho e te faz jamais sair daquela modorrenta condição de subempregado.
Penso que, na vida, devemos buscar sempre formas diferentes e novas de olhar para o mesmo. Será que é possível ensinar a importância das pessoas serem produtivas e não simplesmente terem empregos? Creio que sim. É uma missão épica e cada vez mais concluo que essa é a melhor forma de construir algo valioso para a sociedade.
Muitos dos cases de sucesso que nós empreendedores adoramos usar como referência usam o princípio da inquietude e do questionamento como fundamento. Quando você pensa em trabalhar na Apple, por exemplo, você não pensa no emprego, mas no quanto pode ser inovador e produtivo, criando coisas que um dia poderão impactar positivamente na vida das pessoas.
Em função da negação do “cumprir tabela”, muitas pessoas largam carreiras de sucesso para investir em algo que acreditam. Devemos, todos os dias, ter uma atitude que nos tire da condição de criatura e nos alce à condição de criador. Exercite suas idéias. Ouse. Faça diferente. Assuma a responsabilidade. Faça valer a pena. Seja um criador.
 

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