Crescer ou não crescer, eis a questão

Daniel Fernandes

07 de abril de 2016 | 09h56

Fazer um negócio dar certo não é uma tarefa fácil, certo? Mas o pior é constatar que “dar certo” é chegar a lugar nenhum, pois rapidamente encaramos um outro desafio, talvez ainda maior: conseguir manter-se ou – se assim quiser – crescer.
A evolução de uma empresa pequena para um porte maior é tão complicada e delicada que há dezenas de livros dedicados ao assunto – e não faltam histórias de fracasso nesta transição.
O crescimento é de tal complexidade que, muitas vezes, pode representar a derrota de uma empresa, mesmo aquela muito bem-sucedida na sua largada. Por isso, não me surpreende que haja tantas firmas por aí que preferem estacionar, ficar encolhidas, desistir da expansão.
Nada contra: é uma opção muito particular, um luxo para poucos. Mas quando o empreendedor quer expandir – e às vezes, ele PRECISA expandir -, acaba se deparando com ‘dores do crescimento’.
Acredito que o primeiro problema seja a ilusão de que, para crescer, basta com apenas continuar fazendo o que se faz – só que em maior quantidade. É um engano bastante comum, que – confesso – eu mesmo já cometi, e a cada nova etapa de crescimento tentamos evitar.
A dinâmica de ser grande é bem diferente da de ser pequeno. É preciso se preparar para crescer. Ou esse processo será desordenado e caótico.
Outro ponto crítico é a postura do empreendedor: se ele for do tipo centralizador ou sua empresa girar apenas à volta dele, se ele acumula funções ou não tem a quem delegar, o crescimento pode ser desastroso. Porque, por mais eficiente que seja o dono, ele é um só e é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo, não dá pra jogar em todas as posições no jogo dos ‘grandes’.
Para que o empreendedor não se torne um gargalo para o crescimento, ele precisa se tornar quase desnecessário – o que pode ser paradoxal, não é?
E isso, decididamente, não é fácil.
Por isso, tanto quanto consolidar marca e conquistar clientes, um pequeno que quer ser grande precisa investir em formar lideranças que tenham a preciosa combinação de eficiência com lealdade. E que saibam preservar e propagar a filosofia que movia o dono quando fundou a empresa.
Ser maior significa também mais responsabilidade, mais visibilidade, mais abrangência e, por extensão, mais risco de clientes insatisfeitos, funcionários esgotados, fornecedores saturados.
Tem ainda o desafio de obter dinheiro para financiar a expansão, a mudança de regime tributário e a entrada de novos sócios.  Por essas e outras, abrir uma empresa e dar certo, é apenas o começo do caminho. Mas fazer essa empresa crescer, realmente não é para amadores.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo considera que a jornada é longa e que um dia de sucesso não garante o dia de amanhã.

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