Conexões duradouras

Daniel Fernandes

29 de janeiro de 2016 | 06h04


Estou participando de um programa da embaixada britânica que reúne líderes de diferentes segmentos e países. Durante uma semana, temos uma programação intensa de reuniões, palestras e visitas a empresas. Muitas coisas me chamaram a atenção no programa, dentre elas uma ida que fizemos até Manchester para conhecer uma escola de ensino infantil e fundamental chamada St. Mary Primary School.
Particularmente, sou extremamente interessada em empresas que atuam com educação e visitar essa escola foi uma forma de ampliar a visão sobre a maneira como educamos nossas crianças. Além disso, olhando para o lado do negócio, dois pontos me chamaram muita atenção por serem situações que podem ser aplicadas em diversos tipos de negócios a fim de criar um melhor relacionamento com os clientes.

O primeiro é a ‘open door policy’, ou seja, um dos princípios da escola é estar sempre de portas abertas para atender os pais de seus alunos, independentemente do horário. Eles priorizam o atendimento individual e fazem questão de cuidar muito bem dos clientes. Evidentemente, o tipo de negócio – uma escola infantil –, requer cuidado extra no relacionamento com os pais, afinal, é naquele ambiente que os filhos deles ficam. Mas o fato de expor essa política certamente deixa esses pais mais tranquilos e confiantes com o serviço prestado pela instituição. Essa política, inclusive, vale para qualquer tipo de empreendimento e, respeitando as particularidades de cada um, pode ser aplicada em outras empresas que desejam ampliar estrategicamente seu relacionamento com os clientes.
O segundo ponto tem a ver com a maneira como a escola está inserida naquela comunidade. Eles se veem como parte dela, tanto alunos quanto colaboradores moram ali, naquela região, e isso interfere diretamente na forma como o negócio é administrado. Grande parte da equipe da escola mora próxima do local onde trabalha e grande parte dos alunos mora perto de onde estuda.
A escola acredita que o interesse do colaborador é muito maior quando ele atua em uma empresa de sua própria comunidade, que beneficia sua família e amigos. Por isso, o recrutamento leva em consideração quem efetivamente vive na região. Isso é muito poderoso para qualquer tipo de organização. Além disso, alunos e professores se encontram pelo bairro e, se eventualmente ocorrer qualquer problema, será mais fácil encontrar os pais das crianças.
Depois de formados, os alunos continuam próximos da escola já que lá é onde eles habitam. A ideia é que a comunidade vive dentro das pessoas, e investindo em fortalecer esse sentimento, a escola está na verdade investindo também em uma conexão mais profunda com seus colaboradores e alunos.Cada empresa tem suas particularidades e necessidades, mas manter um relacionamento aberto com clientes, estar disposto a recebê-los e valorizar a comunidade que está ao seu redor são fatores capazes de amplificar o impacto da empresa na sociedade.
* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME

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