Como ser mãe e empreendedora ao mesmo tempo?

Daniel Fernandes

12 de setembro de 2014 | 07h19

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
Como arranjar mais tempo para ficar com o filho que acabou de nascer? É uma pergunta que cresce na medida em que a gravidez avança e que chega a ser desesperadora nos últimos dias de licença maternidade. Não há nada que se compare a chegada de um filho. É o estado mais puro de amor que se tornar o maior propósito de vida dos pais. E como reduzir este estado de plenitude a poucas horas diárias quando é preciso voltar ao emprego e retomar a esperada normalidade da rotina diária de antes?
Mesmo que haja pais que assumem muitas das novas responsabilidades, as mães são, por diversas perspectivas, as mais afetadas neste momento. Mesmo que não tenham tido depressão pós-parto, terão, muito provavelmente, ansiedade pós-retorno ao trabalho. E não é só a saudade e preocupação com o filho, mas também como fica a amamentação, a volta ao peso normal, a logística de levar (e pegar) o bebê no berçário, a forma como a babá está tratando da sua prole, as preocupações com a casa, o sono, sua aparência pessoal, as pequenas compras especificas de urgência e ainda a concentração e resultados esperados na sua função profissional.
Neste contexto de amor, stress, propósito e responsabilidade, muitas mães pensam em criar um negócio próprio como solução para ter mais tempo e flexibilidade para ficarem com seus filhos.
Para mamães atuais ou futuras, algumas reflexões pode ser importantes.
1) Sempre pense em buscar um sócio que a complemente nos desafios da empresa. Em geral, é preciso ter um sócio que seja um grande vendedor e outro, um exímio “fazedor”. Analise se você é a vendedora ou a fazedora e busque a outra parte que falta. O sócio ainda será importante para manter a empresa funcionando durante suas “pequenas emergências” diárias.
2) Acorde previamente as funções na empresa. Mesmo que o início de qualquer empresa seja sempre um pouco caótico, deixar claro (e se necessário, fazer ajustes) as funções de cada sócio sempre evita desgastes bobos.
3) Não inove muito no negócio. Neste momento, o que menos precisa é correr riscos com as incertezas de negócios muito inovadores. Crie um negócio que consiga alavancar suas competências e habilidades. Neste tópico, google o termo effectutation e aprenda como criar um negócio seguindo esta abordagem.
4) Crie um negócio gastando pouco. Não é o momento de investir muito, pois além dos desafios da maternidade, também estará aprendendo a ser uma empresária. Encare a etapa inicial do negócio como um fase de aprendizagem. Estude o conceito de lean startup para criar um negócio investindo o mínimo.
5) Planeje, planeje, planeje antes da chegada do bebê. Faça cursos, converse com mães empreendedoras e elabore um planejamento do negócio pensando nas etapas de gravidez, chegada da criança, integração das atividades de empreendedora e de mãe.
6) Tenha mentoras. Ainda na fase de gravidez aumente sua rede de relacionamento que será útil quando a empresa estiver funcionando. Coloque metas agressivas como conhecer 100 novas pessoas por mês que poderão contribuir para o desenvolvimento do negócio. Conheça potenciais parceiros, fornecedores, clientes, potenciais investidores e apoiadores. Nestas andanças, busque o apoio de mentores, em especial, de mentoras, que a ajudarão a ter um equilíbrio saudável entre ser mãe e empreendedora.
E por último, uma reflexão importante. Não empreenda com o objetivo principal de ter mais tempo para ficar com seu filho.
Empreenda para resolver (muito bem) os problemas dos seus clientes. E não os seus!