Como rejuvenescer um produto tradicional (ou como tornar a palavra Kraeuterkaese popular)

Daniel Fernandes

29 de abril de 2014 | 06h37

No primeiro momento em que decidimos empreender no segmento de queijos especiais, imaginávamos que teríamos de montar uma fábrica do zero: comprar terreno em Blumenau (SC) ou alguma cidade próxima, levantar paredes, obter uma série de licenças. Nossos planos mudaram completamente quando compramos, em agosto do ano passado, a Laticínios Pomerode. A pequena empresa, fundada em 2002 no município de mesmo nome, é fabricante do Kraeuterkaese, um tradicional queijo fundido com erva fina de origem suíça, comercializado em bisnagas de alumínio há 64 anos.
Comprar uma empresa já em funcionamento acelerou muito a nossa entrada no mercado, mas trouxe também uma série de desafios. Entre eles estava a missão de dar uma nova cara para uma marca que estava envelhecida, parada no tempo, com um design ultrapassado, ausência de novos produtos e baixa credibilidade nos pontos de venda.
Precisávamos rejuvenescer a Laticínios Pomerode.
Logo de cara, reformulamos o logotipo da empresa e desenvolvemos um novo website com e-commerce. O próximo passo, que finalmente está virando realidade, foi criar novas embalagens para os produtos já existentes e lançar novidades. Percebemos, por meio de pesquisas de mercado e estudos, que o nome Kraeuterkaese dificultava a venda para novos consumidores e que o significado da expressão “queijo fundido” é desconhecido da maioria das pessoas.
Mantivemos a longa palavra de origem alemã nos rótulos, mas criamos uma nova definição: ‘Creme de Parmesão’, enaltecendo o ingrediente mais nobre e de maior presença na fórmula do produto. E a nova embalagem, que começou a chegar nos pontos de venda (onde também estamos fazendo um trabalho para recuperar a credibilidade perdida) na semana retrasada, acabou remetendo àquela que era produzida desde a década de 1940 pelo avô dos fundadores da Laticínios Pomerode:

Resgatar um produto tradicional, que tem tanta alma e está no coração de tanta gente, é uma tarefa ao mesmo tempo delicada e gratificante. Por um lado, tentamos não agredir a percepção de quem o consome há anos. Por outro, queremos atingir um público maior, mais jovem, para fazer a empresa crescer.
Há uma série de empresas que conseguiram, com êxito, recuperar produtos tradicionais. Entre algumas das nossas inspirações, coletadas logo que começamos esta tarefa de rejuvenescimento da Laticínios Pomerode, podemos mencionar a brasileira Granado Pharmácias, além da inglesa Mini Cooper, hoje pertencente a BMW. Investindo em planejamento, criatividade e ousadia, essas duas empresas conseguiram revolucionar seus próprios produtos e mudar ou melhorar muito seu posicionamento de mercado.

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