Como nossos pais

Daniel Fernandes

17 de setembro de 2015 | 07h05


Outro dia um amigo me disse “Meus pais nunca me estimularam a ter um negócio próprio, mesmo meu pai tendo empresa, ele sempre preferiu que eu buscasse outros caminhos”.
De fato, no Brasil, empreender ainda não é algo que os pais sonhem para os filhos, mesmo. E não sou apenas eu que digo isso.
Na pesquisa divulgada pelo HSBC no dia 9 de setembro (

Documento

) para o relatório O Valor da Educação / Brasil, foram entrevistados 5.550 pais em 16 países.
O resultado foi que 90% dos pais brasileiros preferem que os filhos tenham uma profissão tradicional, sendo medicina (23%), engenharia (18%) e direito (12%) as mais citadas por pais para seus filhos e filhas.
Me atrevo ainda a afirmar que muitos pais devem secretamente sonhar ainda com jogador de futebol, artista de novela, chef de cozinha, funcionário público ou outras profissões que entram e saem “de moda”.
Aposto que “ser empreendedor” está lá embaixo da lista de “gostaria que meu filho fosse…”
Ser dono de um negócio próprio é um destino que poucos pais desejam aos filhos no Brasil. E pensando bem, há bons motivos para esta falta de reconhecimento do empreendedorismo como uma ambição de vida para os descendentes.
A realidade brasileira é hostil para quem quer ter sua própria empresa. Impostos altos, burocracia, leis trabalhistas, custo-Brasil, instabilidade econômica e tantas outras coisas podem transformar o sonho de empreender em um pesadelo. Olhe para o lado e você verá exemplos em todas as direções.
Talvez por esta falta de estímulo e prática focada em negócios desde cedo, o fato é que no Brasil muitas pessoas empreendem sem o mínimo preparo ou experiência, e o resultado mais evidente é a conhecida alta taxa de mortalidade de novos negócios.
Por outro lado, também percebo muitos empreendedores tardios, que depois de trilhar o caminho das profissões “tradicionais”, se libertam e partem em busca de seu sonho do negócio próprio.
A todos, inclusive a mim mesmo, vale sempre lembrar da frase definitiva do Lemann (assista a palestra aqui):  “Os pais educam os filhos para que dê sempre tudo certo. E esquecem que, fazendo besteira, burrada, se aprende muita coisa também. Deixem os filhos fazerem burradas”
Ao que eu adicionaria: deixe seus filhos, além de fazerem burradas, empreender. Você pode estar estimulando o surgimento de um grande empresário.
Ivan Primo Bornes, que vai dar a maior força se os seus filhos, hoje pequenos, quiserem fazer burradas e experimentar brincar de negócios.

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