Como é que se faz um brigadeiro bom se a pessoa não está bem?

Daniel Fernandes

12 de junho de 2013 | 07h42

Uma empresa de sucesso precisa de amor, confiança e dedicação

Uma jornalista me perguntou, numa entrevista, o que eu mais faço no meu dia a dia de trabalho. Brigadeiro? Já foi. Atualmente estou quase sempre ocupada em aprimorar uma outra receita, que admito não ser exatamente a minha especialidade: fazer gestão de pessoas.
Costumo dizer brincando que passo a maior parte da minha vida discutindo a relação (corporativa) com a minha equipe. Como é que se faz um brigadeiro bom se a pessoa não está bem? Minha avó, por exemplo, quando acordava com o pé esquerdo, não chegava nem perto dos tachos de doce porque dizia que azedava.
Também vou dando meu jeitinho para não perder o ponto. Gosto de conversar. E nesses diálogos fico sabendo que o bebê está com cólica, que o marido saiu de casa,  que o trem atrasou de novo…
Não é fácil adoçar o mundo quando o mundo anda meio amargurado. Mas a nossa missão é justamente essa, assim como a missão de um palhaço é fazer rir. E depois de ter botado tantas panelas no fogo, entendo que meu papel hoje em dia é outro: motivar.
Repassar incansavelmente, um por um, os ingredientes simbólicos do primeiro brigadeiro que fizemos, para que a gente nunca se esqueça do propósito de estarmos ali. E se uma receita clássica do doce se faz com três coisas, que são leite condensado, chocolate e manteiga, fazer dele uma empresa exigiu de todos pelo menos outros três: amor, confiança e dedicação.
E isso a gente não pode perder jamais
 

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