O que é capital de giro e como ele afeta a saúde da sua empresa

O que é capital de giro e como ele afeta a saúde da sua empresa

Entenda a necessidade do capital de giro para uma boa gestão, que deve incluir controle de estoque, negociação com fornecedores e menos empréstimos, diz consultora do Sebrae-SP

Redação

13 de agosto de 2019 | 10h45

Por Paula Renata da Silva, consultora do Sebrae-SP

Algumas empresas têm dificuldade em definir o capital de giro suficiente para as operações de caixa do dia a dia do negócio e ainda acompanhar isso rotineira e sistematicamente. Na prática, podemos considerar que ele é o montante de recursos necessários para a empresa manter a continuidade de suas operações, como, por exemplo, financiar os clientes nas vendas a prazo, manter estoque, pagar fornecedores, demais custos e despesas pertinentes à operação da empresa.

Um fator que pode desequilibrar o capital de giro do negócio é quando a empresa vende a prazo, mas não possui dinheiro para garantir que os custos e as despesas operacionais mensais sejam honrados, até que o cliente realize os pagamentos. Assim, é muito importante considerar o capital de giro necessário para estabelecer crédito aos clientes.

O critério de concessão de crédito pode servir como um diferencial competitivo, porém pode levar a empresa a ter sérios problemas com sua saúde financeira. Nenhuma empresa é obrigada a vender a prazo, mas, às vezes, se faz necessário por questões de competitividade. Somente após criteriosa análise da necessidade de capital de giro é que a empresa deve definir seu critério de concessão de crédito ao cliente.

Administrar o capital de giro da empresa é fundamental para que o empresário conheça os recursos financeiros mínimos necessários para a manutenção de suas atividades. Uma ferramenta muito utilizada para o planejamento e o controle é o fluxo de caixa, que permite ao empresário realizar projeções de saldos financeiros, proporcionando uma visão a curto, médio e longo prazos.

Ao entender o fluxo de caixa, com créditos e débitos, o gestor evita surpresas negativas. Foto: Werther Santana/Estadão

Por meio do fluxo de caixa, a empresa planeja e controla as entradas e saídas de recursos financeiros, a fim de evitar surpresas com resultados negativos que afetem o negócio.

Outro fator muito importante é o gerenciamento do estoque, visto que, quanto menor o giro da mercadoria, ou seja, quanto mais tempo a mercadoria permanece em estoque, maior a necessidade de capital. Portanto, quanto mais o empresário conhece as preferências de seu público-alvo e mantém seu estoque “enxuto”, mais eficiente se torna sua gestão.

Para reduzir a necessidade de capital de giro, a empresa também deve negociar com os fornecedores um prazo de pagamento maior que o prazo de recebimento de seus clientes. Caso seja possível tornar o prazo médio de pagamento (PMP) maior ou igual que a soma do prazo médio de recebimento (PMR) com o prazo médio de estocagem (PME), ou seja, PMP ≥ PMR + PME, a empresa pode zerar sua necessidade de capital ou até mesmo conseguir financiar sua operação com o capital do fornecedor.

O bom funcionamento de qualquer empresa está diretamente relacionado à sua saúde financeira. Com a falta de capital de giro, a empresa frequentemente recorre a empréstimos bancários e, eventualmente, o negócio será obrigado a “fechar as portas”.

Dicas para a boa gestão do capital de giro

  1. Reduzir o ciclo financeiro
  2. Negociar prazo com fornecedores
  3. Não direcionar o capital de giro para investimentos em máquinas, equipamentos, mobiliário ou ampliações
  4. Controlar estoque
  5. Reduzir custos e despesas
  6. Gerenciar contas a receber
  7. Reduzir o índice de inadimplência
  8. Renegociar valores e prazos de dívidas
  9. Financiar o capital de giro com o lucro

* Mande sua dúvida para pme@estadao.com