Como a internet das coisas impacta os negócios

Daniel Fernandes

03 de novembro de 2016 | 07h00

Se você é um empreendedor e o termo “internet das coisas” ainda te remete ao futuro, é melhor repensar. A era dos dispositivos conectados já é uma realidade, inclusive no Brasil. Por isso, é essencial que você esteja atento aos avanços dessa tecnologia, independentemente do tamanho e do segmento do seu negócio. Mas, por outro lado, é importante também se questionar: até que ponto as pessoas querem, de fato, um mundo 100% automatizado?
Segundo dados do instituto de pesquisa IDC, no ano passado, a área de manufatura foi a principal motivadora no Brasil do crescimento do IoT – sigla usada para o termo no inglês – Internet of Things -, seguida das áreas de varejo, logística e saúde. Só em 2015, esse mercado de automatização movimentou o equivalente a US$4 bilhões no País.

No varejo, o ícone da internet das coisas é o uso de dispositivos que permitem, em um clique, encomendar um produto de uso diário – como sabão em pó, leite, creme dental, etc. O impacto dessa tecnologia para o consumidor é fantástico; oferece facilidade e rapidez. Para o varejista, o fato de o consumidor optar pela compra via dispositivo indica uma maior chance de fidelização, pois, basta apertar um botão para o produto programado ser entregue. Só esse argumento já indica que vale a pena investir na tecnologia, porém, não sem antes avaliar muito bem o que de fato o cliente deseja.
A experiência da Amazon, que em 2015 lançou o Dash, sua versão do dispositivo para encomendas, mostra que a ideia é bem aceita, mas o consumidor já sinalizou que não está disposto a abrir mão de sua liberdade de escolha. Usuários do Dash nos Estados Unidos afirmam que, mais do que encomendar sempre o mesmo produto, eles desejam, por exemplo, poder escolher por outras marcas e pelo melhor preço.
Esse aceno do consumidor mostra que a internet das coisas ainda passará por muitos avanços e que a tecnologia é muito bem-vinda, porém, a combinação do elemento humano com a máquina é ainda mais eficiente e poderosa.
Com algoritmos de aprendizado (machine learning), as máquinas ficarão cada vez mais automatizadas e poderão tomar decisões. O ideal é que não se perca o fator humano e que exista sempre a possibilidade de as máquinas aceitarem instruções passadas por um usuário. Por isso, a internet das coisas impacta nos negócios, no mínimo, de duas maneiras: indica que é preciso investir em tecnologia e que é essencial investir em pessoas.
Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

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