Com processo seletivo às cegas, startup foca em habilidades e aumenta diversidade

Com processo seletivo às cegas, startup foca em habilidades e aumenta diversidade

Ao levar vídeo borrado ao recrutador, plataforma Jobecam reduz vieses inconscientes que fazem empresas contratar pela aparência, dando peso maior às habilidades do candidato

Maure Pessanha

11 de setembro de 2019 | 09h25

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 13,4 milhões de pessoas estão em busca de trabalho. Dos candidatos a empregos, 23% não têm dinheiro para ir a entrevistas ou para buscar melhores oportunidades. Um dado relevante é que os processos convencionais de recrutamento criam ambientes corporativos pouco diversos, com participação mínima de negros, pessoas com deficiência e LGBT+ em cargos de liderança.

E se os profissionais em busca de emprego fossem avaliados por habilidades e competências pessoais e não por aparências? Com tecnologia, um negócio de impacto social adota um processo seletivo às cegas que humaniza a contratação de funcionários, reduz os vieses inconscientes de recrutadores e acelera em 70% a etapa de triagem de candidatos.  

A Jobecam – fundada em 2016 por Cammila Yochabell – torna os processos de seleção para empregos mais ágeis, baratos, assertivos e justos. A plataforma interativa de automação dos processos conecta empresas e candidatos por meio de vídeo-recrutamento e entrevistas às cegas. Com uso de inteligência artificial, filtra e ranqueia os perfis adequados para cada vaga, tornando possível que os recrutadores avaliem os candidatos reduzindo os vieses inconscientes para tomadas de decisão mais assertivas. Tornam o processo mais justo e eficiente.

Cammila Yochabell, fundadora da Jobecam. Foto: Marco Torelli

No The Experience, os candidatos realizam as entrevistas por vídeo às cegas, gravando as respostas às perguntas determinadas pelo recrutador, que recebe os vídeos com imagem ilegível e dados ocultos. O recrutador escuta o áudio das entrevistas e aprova os candidatos com base nas experiências, habilidades técnicas e/ou comportamentais; o vídeo sem filtros só pode ser visto após a aprovação para a próxima fase do processo. 

Hoje, os processos de seleção estão sujeitos a análises subjetivas e são caros, chegando a custar R$ 6 mil reais e demorar 40 dias, por vaga. Na prática, os erros de contratação custam caro às empresas. Com a Jobecam, os contratantes baseiam as escolhas em habilidades; ampliam as oportunidades e a representatividade das minorias que são afetadas por vieses inconscientes dos recrutadores; e aumentam a diversidade dentro das empresas.

Com o propósito de promover um mundo que valoriza as diferenças, a plataforma interativa – conhecida como o The Voice da seleção – já atingiu 40 mil usuários, mais de 130 empresas estão cadastradas e mais de 60 mil entrevistas já foram realizadas.

Como resultados para os candidatos, atributos como visibilidade, rapidez para encontrar vagas, imparcialidade e possibilidade de acompanhar o status do processo que está participando. Para as empresas, ganho de tempo e agilidade, oportunidade de reconhecer o profissional por trás do currículo e match ideal de candidato e vaga. Para a sociedade, um exemplo de como a tecnologia pode estar a serviço de um mercado de trabalho mais inclusivo e diverso.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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